Ao menos 78 denúncias ficaram sem fiscalização após cancelamento de operações em janeiro de 2026. Auditores também afirmam insatisfação histórica com o ministro do Trabalho, Luiz Marinho.
Nessa terça-feira (28) auditores fiscais denunciam “apagão” nas ações de combate ao trabalho escravo e em condições análogas à escravidão no país, segundo servidores as decisões recentes do ministro do Trabalho, Luiz Marinho, de cancelar operações de fiscalização, revisar pessoalmente processos de inclusão de empresas na chamada “lista suja” do trabalho escravo, interrompendo ou questionando autuações já concluídas , geraram insegurança jurídica e fragilizaram a atuação técnica da fiscalização.
Segundo documentos internos e relatos obtidos pelo G1, ao menos 78 denúncias deixaram de ser fiscalizadas, após operações de fiscalização serem canceladas. Decisão de cancelamento foi feita em janeiro de 2026, mesmo mês que se celebra o Dia Nacional de Combate ao Trabalho Escravo.

Os auditores também relatam que as operações canceladas iam desde setores rurais até a exploração doméstica e extrativista e ocorria em diversos estados do país, entre eles: Amapá, Bahia, DF, Espírito Santo, Goiás, Minas, Mato Grosso, Rio de Janeiro, Rondônia, Rio Grande do Sul, Piauí e São Paulo. Após decisão, equipes tiveram que suspender fiscalizações planejadas, o que adia a proteção dos trabalhadores e a responsabilização de empresas e empregadores.
Segundo os auditores fiscais a falta de operação efetivas enquanto as denúncias chegam aumenta o tempo que trabalhadores em situação de vulnerabilidade permanecem expostos a condições degradantes e análogas a escravidão, também afirmou que o combate ao trabalho escravo ainda enfrenta desafios estruturais no país, entre eles a proteção efetiva dos servidores e autonomia técnica nas investigações.
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A “lista suja” citada pelos servidores foi criada em 2004 e reúne o nome de empregadores e empresas que foram denunciadas por trabalho a condições análogas a escravidão, como: jornadas exaustivas e cerceamento da liberdade, impedindo-lhes sair do local de trabalho por conta de dívidas ou coerção, e funciona como instrumento de transparência e prevenção.
O Notícia Preta entrou em contato com o Ministério do Trabalho e Emprego para pedir esclarecimentos sobre a denúncia feita pelos auditores fiscais, mas até o fim desta reportagem não obteve retorno. O espaço segue aberto.










