Com carne mais cara, brasileiros substituem proteína e entram no top 7 mundial de consumo de ovos

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Brasileiros entram no top 7 mundial de consumo de ovos, segundo ABPA - Foto: Pexels

O aumento no preço da carne bovina tem mudado o cardápio das famílias brasileiras e os dados confirmam essa transformação. Segundo informações do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), o Brasil já ocupa a 7ª posição entre os maiores consumidores de ovos do mundo, consolidando o alimento como principal alternativa à proteína bovina.

De acordo com a ABPA, a média nacional chegou a 288 ovos por pessoa em 2025, 19 unidades a mais que no ano anterior. Com esse volume, o Brasil se iguala à Rússia no ranking global de consumo. À frente estão México (360 ovos por habitante), Japão (347) e China (310). A projeção da entidade é que o consumo brasileiro alcance 306 ovos por pessoa em 2026 e 430 ovos por habitante em 2035.

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Brasileiros entram no top 7 mundial de consumo de ovos, segundo ABPA – Foto: Pexels

A expansão do consumo acompanha o aumento da oferta. Dados da ABPA indicam que a produção nacional deve atingir 62,25 bilhões de unidades em 2025 e chegar a 66,5 bilhões de ovos em 2026, impulsionada por investimentos em modernização de aviários, automação e aumento da produtividade.

Ao mesmo tempo, o ovo esteve entre os alimentos que mais pressionaram a inflação alimentar nos primeiros meses de 2025, segundo o IBGE, reflexo da forte demanda interna. Ainda assim, o produto mantém-se como a proteína animal mais acessível ao consumidor brasileiro.

Carne bovina mais cara acelera substituição

O principal motor dessa mudança é o preço da carne. Dados de acompanhamento de mercado do Cepea (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada) mostram que a carne bovina acumulou alta acima da inflação geral em 2025. Para 2026, o centro de pesquisa projeta nova elevação nos preços, influenciada pelo ciclo pecuário de menor oferta de bezerros.

Nesse cenário, o ovo tornou-se a alternativa mais viável para milhões de famílias. Com preparo simples, alto valor nutricional e preço competitivo, passou de item complementar a componente central das refeições.

Segundo a ABPA, mesmo com inflação própria do setor em 2025, o ovo segue com custo inferior às demais proteínas animais. A entidade projeta crescimento de produção entre 4% e 5% em 2026, acompanhando a expansão da demanda. A previsão de uma safra maior de milho no próximo ano também deve reduzir custos de ração, contribuindo para maior estabilidade de preços ao consumidor.

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Mudança cultural na alimentação

O aumento do consumo não é apenas econômico, mas também cultural. O ovo deixou de ser visto como alimento restrito por questões de saúde e passou a ocupar espaço permanente em dietas saudáveis, no café da manhã e em refeições principais.

A ABPA destaca que o Brasil entrou no grupo de países que consomem quase um ovo por dia por habitante, tendência associada à praticidade, à confiança nutricional e à necessidade de substituição de proteínas mais caras.

Fatores sazonais também contribuem para esse movimento. Dados regionais acompanhados pelo Cepea indicaram queda temporária nos preços dos ovos no início de 2026 em algumas praças produtoras, devido ao aumento da oferta e retração típica da demanda no mês de janeiro, estimulando ainda mais o consumo.

Mercado externo e oportunidades

O cenário internacional reforça a expansão do setor. A ABPA informa que surtos de influenza aviária em grandes produtores, como Estados Unidos, Japão e Europa, abriram espaço para o Brasil ampliar suas exportações. A retomada do sistema de pre-listing pela União Europeia também facilita a habilitação de plantas brasileiras para o mercado externo.

Desafio sanitário

Apesar do crescimento, entidades do setor, como a ABPA e o Cepea, ressaltam que a manutenção rigorosa da biosseguridade é fundamental para sustentar o avanço produtivo e garantir competitividade internacional.

Entre inflação, mudança cultural e necessidade de adaptação do orçamento doméstico, os dados do IBGE, ABPA e Cepea indicam que o ovo deixou de ser apenas acompanhamento e tornou-se símbolo de uma nova realidade alimentar no Brasil.

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