A ideia de que o desejo sexual segue padrões fixos e universais vem sendo cada vez mais questionada pela ciência. Um estudo internacional publicado na revista Scientific Reports analisou dados de mais de 67 mil adultos e identificou que pessoas que se autodeclaram bissexuais relataram níveis mais elevados de libido em comparação com participantes de outras orientações sexuais.
Os pesquisadores ressaltam que o objetivo da investigação não é criar generalizações sobre grupos específicos, mas compreender como o desejo é influenciado por fatores sociais, emocionais e culturais, para além dos aspectos biológicos. Segundo o artigo, a experiência bissexual costuma estar associada a uma relação mais flexível com a sexualidade, marcada por menos normas rígidas e maior abertura para diálogo, descoberta e prazer.

O levantamento sugere que essa vivência pode favorecer uma conexão mais consciente com o próprio corpo e com o exercício da autoestima. Os dados também reforçam que a libido não é estática. Ela varia ao longo da vida e sofre influência de fatores como qualidade das relações afetivas, saúde mental, níveis de estresse e sensação de segurança para expressar a própria identidade.
Outro ponto destacado no estudo é a visibilidade de um grupo que historicamente enfrenta apagamento social. Pessoas bissexuais, inclusive dentro da comunidade LGBTQIA+, muitas vezes lidam com estigmas e questionamentos sobre a legitimidade de sua orientação. A presença de dados científicos sobre sua experiência afetiva e sexual contribui para ampliar o debate público e combater preconceitos ainda persistentes.
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Especialistas ouvidos na pesquisa apontam que compreender a diversidade das experiências sexuais é essencial para a construção de políticas de saúde mais inclusivas. Em contextos marcados por desigualdades sociais, raciais e de gênero, o acesso à informação segura sobre sexualidade e prazer ainda é limitado, o que reforça a importância de estudos que ampliem o olhar sobre bem-estar sexual como parte dos direitos humanos.
O artigo conclui que viver a sexualidade com menos restrições impostas por normas sociais pode impactar positivamente a qualidade das relações íntimas e a percepção de prazer. Para os autores, ampliar o reconhecimento da pluralidade das vivências afetivas é um passo importante para promover saúde integral e respeito à diversidade.









