O empresário Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master, afirmou em depoimento à Polícia Federal que não possui relações políticas que tenham favorecido seus negócios. Segundo transcrição obtida pela imprensa, o banqueiro declarou que, se tivesse influência junto a autoridades, não estaria preso nem utilizando tornozeleira eletrônica. O depoimento foi prestado em dezembro do ano passado no âmbito de investigação que apura suspeitas de fraudes envolvendo a instituição financeira. O inquérito é conduzido no Supremo Tribunal Federal sob relatoria do ministro Dias Toffoli.
Durante o interrogatório, Vorcaro foi questionado sobre possível interferência de políticos na tentativa de negociação entre o Banco Master e o Banco de Brasília (BRB). Em resposta, afirmou que não mantém contatos frequentes com agentes públicos e que a operação foi construída em ambiente técnico, dentro das regras do Banco Central. Segundo ele, a interrupção do acordo teria causado prejuízos não apenas à instituição, mas ao sistema financeiro como um todo.

O empresário confirmou encontros com o governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha (MDB), mas justificou que as reuniões ocorreram em razão da posição do governador como controlador indireto do BRB. Vorcaro declarou que os diálogos se limitaram a aspectos técnicos da operação e que não houve tratativas políticas. Questionado novamente sobre pedidos feitos a parlamentares ou dirigentes públicos, evitou confirmar ou negar, argumentando que decisões sobre o setor bancário dependem da autonomia do Banco Central.
A investigação ocorre paralelamente à liquidação extrajudicial do Banco Master, decretada recentemente pelo Banco Central. A medida encerra um ciclo de instabilidade que já vinha sendo acompanhado por órgãos de controle e pelo mercado financeiro. O banco operava com elevado custo de captação, oferecendo produtos com rendimentos acima da média, o que atraiu milhares de investidores, incluindo pequenos poupadores.
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Fundado em 1974, o grupo se expandiu ao longo das últimas décadas para diferentes áreas do mercado financeiro. A partir de 2022, surgiram questionamentos sobre sua capacidade de honrar compromissos, diante da exposição a ativos considerados de alto risco e da dificuldade em concluir negociações de venda.
Em março deste ano, avançaram tratativas para a aquisição de parte do banco pelo BRB, em operação estimada em cerca de R$ 2 bilhões. O acordo passou a ser analisado por órgãos de fiscalização, que solicitaram esclarecimentos sobre transparência e governança. Enquanto isso, o Master obteve crédito emergencial do Fundo Garantidor de Créditos para manter suas operações.
Na véspera da liquidação, investidores estrangeiros apresentaram proposta de aporte financeiro, mas a intervenção do Banco Central encerrou as negociações. O caso segue em apuração e levanta debates sobre regulação do sistema financeiro, proteção de investidores e impactos econômicos que atingem especialmente pequenos aplicadores, em um país marcado por desigualdades de renda e acesso à informação financeira.








