Um levantamento divulgado no início do Fórum Econômico Mundial de Davos trouxe um retrato contundente da desigualdade contemporânea, ao indicar que um grupo diminuto de bilionários controla um volume de recursos superior ao de bilhões de pessoas em situação de vulnerabilidade econômica. Conforme dados apresentados pela Oxfam neste domingo, 19, os 12 indivíduos mais ricos do planeta possuem mais patrimônio do que os 4 bilhões de habitantes que compõem a metade mais pobre da população mundial, sinalizando um nível de concentração sem precedentes.
A organização aponta que 2025 consolidou um período excepcional de ganhos para as grandes fortunas globais. O número de pessoas com patrimônio acima de um bilhão de dólares ultrapassou, pela primeira vez, a barreira de 3 mil, enquanto o estoque total de riqueza desse grupo alcançou cerca de 18,3 trilhões de dólares, aproximadamente 91,5 trilhões de reais. Somente no último ano, esse montante avançou em 2,5 trilhões de dólares, algo em torno de 12,5 trilhões de reais, quantia que, segundo a Oxfam, poderia financiar a erradicação da pobreza extrema em escala mundial por 26 vezes.
Para ilustrar a dimensão desse crescimento, o relatório compara esse aumento anual ao orçamento federal brasileiro para 2026, fixado em 6,54 trilhões de reais. Na prática, a expansão patrimonial dos super ricos em doze meses superou em quase duas vezes todo o gasto público previsto pelo governo brasileiro para o ano.

Enquanto isso, as condições de vida de grande parte da população global permanecem precárias. O estudo destaca que cerca de um quarto das pessoas no mundo sofre com insegurança alimentar, e quase 50 por cento da humanidade vive abaixo da linha de pobreza ampliada definida pelo Banco Mundial.
O Brasil ocupa posição central nesse cenário. O país concentra o maior contingente de bilionários da América Latina e do Caribe, com 66 indivíduos que reúnem aproximadamente 253 bilhões de dólares, ou cerca de 1,26 trilhão de reais, valor equivalente a quase um quinto do orçamento federal de 2026.
Segundo a Oxfam, essa realidade está diretamente ligada à estrutura tributária brasileira, baseada majoritariamente na taxação do consumo e dos salários, o que afeta de forma mais intensa trabalhadores de baixa renda, mulheres e pessoas negras, ao mesmo tempo em que rendimentos do capital seguem pouco onerados.
O relatório conclui que a concentração extrema de riqueza não apenas aprofunda desigualdades sociais, mas também enfraquece instituições democráticas. Para a organização, muitos governos têm priorizado a proteção dos interesses das elites econômicas em detrimento de políticas de redistribuição, combate à pobreza e garantia de direitos básicos.
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