O Supremo Tribunal Federal (STF) foi acionado pelo Instituto de Defesa dos Direitos das Religiões Afro-Brasileiras (Idafro) para reexaminar a decisão que absolveu o apresentador Marcão do Povo de uma acusação de injúria racial. O fato, que tem como parte a cantora Ludmilla, voltou ao debate público recentemente após manifestações da artista. Ação foi protocolada nesta segunda (12).
O objetivo do Idafro é reverter uma decisão judicial que, mesmo reconhecendo a ofensa, considerou o ocorrido de menor potencial ofensivo e isentou o comunicador de pena. A injúria remonta a 2017, quando, durante o “Balanço Geral DF” da Record TV, Marcão do Povo dirigiu à artista o termo “macaca pobre”.
A repercussão do caso se intensificou após Ludmilla usar suas redes sociais para criticar a sentença e também a emissora SBT, onde o apresentador atualmente comanda o “Primeiro Impacto”. A cantora recusou uma homenagem oferecida pelo canal. Em suas declarações, ela afirmou: “Não posso aceitar uma homenagem enquanto essa mesma emissora segue dando voz, espaço e respaldo a pessoas com atitudes racistas. Isso para mim é incoerente e inaceitável”.

Em um vídeo, Ludmilla se manifestou novamente, definindo a absolvição como “uma manobra para se livrar das consequências” e sustentando que o apresentador não foi inocentado da ofensa.
Por outro lado, a defesa de Marcão do Povo reagiu às afirmações. O advogado Rannieri Lopes, em declarações ao Metrópoles, argumentou que a cantora estaria promovendo um julgamento paralelo. “O processo durou quase 10 anos. Se ela não conseguiu um bom advogado, a culpa não é nossa”, disse. Ele completou: “Não existe manobra jurídica. Marcão já foi absolvido pelo STJ, mas agora está sendo condenado pela boca da Ludmilla. Ela também responderá pelo vídeo que publicou, difamando e caluniando o apresentador”.
Recentemente, a defesa do apresentador tomou novas iniciativas judiciais, incluindo a apresentação de uma notícia-crime contra Ludmilla e um pedido ao STF para que a ministra Anielle Franco se posicione sobre uma nota do Ministério da Igualdade Racial (MIR) que expressou apoio à cantora. O advogado justificou: “Movemos essa ação para que a ministra se explique em juízo, porque Marcão foi absolvido de qualquer crime de racismo em 1ª instância e pelo STJ”. O órgão federal havia emitido uma nota repudiando o episódio e manifestando solidariedade à artista.
Leia mais notícias por aqui: Governo adota nome social de pessoas trans em todos os atendimentos no SUS









