Negros são as principais vítimas da escalada de acidentes de trabalho no Brasil, mostra levantamento

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Os trabalhadores negros foram os mais impactados pelo aumento de acidentes laborais no país em 2024, representando 53% das ocorrências com identificação de raça ou cor. A informação é do Anuário Estatístico de Acidentes do Trabalho (AEAT) 2024, divulgado no início de janeiro de 2026, que analisou mais de 787 mil registros e aponta um crescimento contínuo desse problema na última década.

De acordo com a publicação oficial, 417,6 mil dos acidentes com dados completos envolveram pessoas pretas e pardas. O aumento nesse grupo foi de quase 16% em relação a 2023, ritmo superior ao verificado entre os trabalhadores brancos, que tiveram alta de 9,7% no mesmo período. Os dados detalhados mostram que os brancos concentraram 360.907 ocorrências (45,8%), os pardos somaram 347.053 (44%) e os pretos, 70.508 (9%).

Os trabalhadores negros foram os mais impactados pelo aumento de acidentes laborais no país em 2024, representando 53% das ocorrências com identificação de raça ou cor – Foto: Ministério do Trabalho/Divulgação.

O relatório também registrou um avanço significativo nos chamados acidentes de trajeto, que cresceram 17,8% frente a 2023. Em relação a 2022, o aumento foi ainda maior, atingindo 45,3%. Por setores, o atendimento hospitalar liderou o número de casos (70.874), seguido pelo comércio varejista (35.324) e pelo transporte rodoviário de cargas (24.931).

A maioria das ocorrências teve consequências menos graves. Segundo o anuário, cerca de 193 mil acidentes necessitaram apenas de assistência médica, sem afastamento, enquanto 557 mil geraram licenças inferiores a 15 dias. Juntos, esses cenários corresponderam a 88,1% do total. Contudo, os resultados mais severos também foram registrados: 9.315 casos resultaram em invalidez permanente e 3.394 em morte do trabalhador.

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Thayan Mina

Thayan Mina

Jornalista pela Faculdade de Comunicação (FCS) da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj). Atualmente mestrando pelo PPGCOM da Escola de Comunicação (ECO) da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). É músico e sambista.

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