Um grupo de 42 famílias do acampamento Baixinha do Bom Jesus, localizado em Planaltino (BA), foi surpreendido pela presença de viaturas da Polícia Militar, que foram ao local executar uma ordem de reintegração de posse. Segundo informações do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), um Policial, aparentemente à paisana, dirigiu-se aos acampados e os intimidou, prometendo retornar a noite e incendiar os barracos
“Uma máquina chegou para derrubar os barracos, as famílias foram para cima… Eles (os agentes policiais) já vieram ameaçando, [dizendo] que de noite voltam, que vão botar fogo nos barracos, que vai atirar”, relata Abraão Brito, dirigente do MST, no Estado da BA.

Brito afirmou ainda que a decisão judicial de reintegração foi comunicada verbalmente, já que os Policiais não apresentaram um documento formal com a ordem. A área sob ocupação é identificada como Fazenda Paraíso, que na verdade é parte das terras já registradas no Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), com o intuito de oferecer moradia a famílias que esperam por terras para viver e trabalhar no meio rural.
Brito também relatou que as tentativas para regularizar a situação fundiária das famílias começaram em 2016, durante o governo de Dilma Rousseff, mas foram interrompidas na administração de Michel Temer. Desde a chegada dos Sem-Terra, há quase uma década, a região transformou-se em um exemplo de produção agrícola, em Planaltino, particularmente com a cultura do aipim, que é comercializado em feiras e estabelecimentos locais.
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No processo de despejo, idosos, crianças e mulheres grávidas foram forçados a sair de suas moradias. As famílias agora vivem com o temor de uma escalada na violência. O Programa Terra da Gente, que foi introduzido pelo Governo do presidente Lula, visa criar as chamadas prateleiras de terras, que têm a função de mapear e organizar, diferentes modalidades para aquisição e destinação de áreas no contexto da reforma agrária.
Conforme o Incra, a iniciativa pretende beneficiar até 295 mil famílias agricultoras, até 2026. Do total, 74 mil famílias receberão terras novas, enquanto 221 mil terão sua situação regularizada em lotes já existentes. Em 2024, o Estado da Bahia (BA) contava com mais de 12 mil famílias acampadas à espera da formalização da posse de suas terras.
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