O levantamento “Mulheres na liderança e alta gestão: barreiras para a ascensão aos espaços de decisão” revela que 91,9% das mulheres já precisaram ajustar sua postura natural para obter respeito ou validação no ambiente de trabalho. O estudo inédito revela que a estagnação feminina no topo das empresas não decorre de falta de capacidade técnica, mas de uma estrutura corporativa moldada por códigos de comportamento historicamente masculinos.
O estudo, realizado pela FESA Group, empresa de soluções em Recursos Humanos, ouviu 595 profissionais de diversos níveis hierárquicos e todas as regiões do país. O dado central aponta que 86,1% das respondentes concordam que o modelo ideal de liderança ainda é associado a traços masculinos.

A pesquisa aprofunda a análise ao revelar barreiras ainda mais densas, quando 79% das entrevistadas afirmam já terem presenciado ou sido vítimas de situações de assédio no ambiente corporativo, índice que salta para alarmantes 89,7% entre mulheres em cargos de entrada da pirâmide hierárquica. Além disso, o tema da maternidade surge na percepção feminina como um fator crítico de exclusão, impactando negativamente a trajetória de 59,1% das profissionais que são mães.
“Nosso estudo revela um abismo entre o talento das mulheres e os modelos tradicionais de comando ainda validados no mercado. Enquanto mantivermos uma régua estreita de liderança, deixamos de reconhecer competências essenciais para o mundo empresarial de hoje”, comenta Ana Gusmão, vice-presidente e sócia da FESA Group.
O recorte racial expõe outro buraco na sociedade, já que 72,2% das mulheres pretas e pardas não enxergam igualdade no acesso à alta liderança, contra 22,5% das mulheres brancas. Embora o tema da Diversidade, Equidade e Inclusão (DE&I) esteja na pauta, 47,6% das respondentes também consideram as iniciativas de suas empresas como ações isoladas, sem impacto real na governança.
“As metas de diversidade não resolverão o problema se a forma de avaliar potencial humano continuar baseada em padrões do passado”, comenta Ana Gusmão, vice-presidente e sócia da FESA Group. “É hora de perguntar se nossos modelos atuais de liderança ainda servem aos desafios dos próximos anos”, complementa.
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Para as profissionais, os maiores obstáculos ao crescimento são subjetivos: a cultura organizacional (66,1%) e os vieses inconscientes (61,8%) superam as políticas de RH em relevância. Isso se reflete nos feedbacks recebidos: 70,1% das mulheres relatam ter recebido avaliações diferentes das direcionadas a homens em situações similares.









