A atriz e cantora Zezé Motta, celebrou os avanços na diversidade dentro do audiovisual em uma recente publicação em suas redes sociais nesta quinta-feira (03). A artista com cerca de 56 anos de carreira destacou as diferenças que percebe entre as tramas atuais e de outras épocas. “Na minha época, personagens negros não tinham pai, mãe, filho, não tinham uma família, não tinham núcleo“, diz Zezé.
Atualmente as novelas da TV Globo contam com protagonistas negras, e com a presença de famílias diversas, o que segundo Zezé é uma vitória. Mas nem sempre foi assim. “Ficávamos soltas na história, não fazíamos realmente parte da trama, éramos um rito de passagem“, afirmou a atriz.

Um exemplo da fala da atriz é a personagem Zilda interpretada por Thalma de Freitas em Laços de Família (2000). A governanta da casa do protagonista não tem núcleo próprio, e apenas dá suporte à trama principal, sem profundidade pessoal ou familiar.
Zezé Motta tem uma rica carreira no teatro, cinema e televisão, deixando sua marca em produções como “Xica da Silva” (1976), “Tenda dos Milagres” (1985), “Sinhá Moça” (2006) e “Rensga Hits!” (2022). Mas a atriz vem denunciando há anos a falta de protagonistas negros nas novelas brasileiras.
Agora, considera que poder celebrar o protagonismo negro e núcleos que contam as histórias de personagens negros, é um grande avanço. “Que bom que estou viva para ver isso. Ainda temos muita luta pela frente, mas estamos melhores“, reconhece, a atriz.
As discussões sobre representação negra no audiovisual voltaram a ganhar força recentemente após manifestação da atriz Camila Pitanga nas redes sociais. Em postagem, ela elogiou o destaque de atrizes negras em novelas atuais, como Tez Araujo (Elas por Elas), Irene Borges (Terra e Paixão), Bárbara Reis (Terra e Paixão), Indira Nascimento (Elas por Elas) e Jennifer Díaz (Fuzuê), e destacou o impacto positivo dessas mudanças nas dramaturgias brasileiras.
A fala de Zezé Motta enfatiza a importância da inclusão e da ampliação do espaço para os atores negros. Embora a situação atual seja mais positiva do que no passado, ainda há um longo caminho a percorrer para garantir equidade e diversidade real na teledramaturgia.
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