Presidente interina da Venezuela propõe reforma petrolífera para atrair investimentos dos EUA

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A presidente interina da Venezuela, Delcy Rodriguez, discursa em 8 de janeiro de 2026 durante a cerimônia em homenagem a militares e seguranças venezuelanos e cubanos que morreram durante a operação dos EUA para capturar o presidente Nicolás Maduro e sua esposa, Cilia Flores — Foto: Leonardo Fernandez Viloria/Reuters

A presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, anunciou nesta quinta-feira (15) que apresentará uma proposta de reforma da lei de hidrocarbonetos do país. A medida busca facilitar o acesso de investidores estrangeiros, especialmente dos Estados Unidos, à indústria petrolífera venezuelana, em um momento de reconfiguração política e econômica no país.

Em pronunciamento transmitido em rede nacional, Rodríguez afirmou que a reforma permitirá incorporar novos fluxos de investimento a setores que historicamente não receberam aportes financeiros ou carecem de infraestrutura. Segundo ela, os recursos provenientes da atividade petrolífera serão direcionados a trabalhadores e ao fortalecimento dos serviços públicos.

A presidente interina da Venezuela, Delcy Rodriguez, discursa em 8 de janeiro de 2026 durante a cerimônia em homenagem a militares e seguranças venezuelanos e cubanos que morreram durante a operação dos EUA para capturar o presidente Nicolás Maduro e sua esposa, Cilia Flores — Foto: Leonardo Fernandez Viloria/Reuters

O anúncio ocorre em meio a negociações energéticas entre Caracas e Washington. De acordo com o governo dos Estados Unidos, cerca de US$ 500 milhões já foram gerados com a venda de petróleo venezuelano em acordos recentes, valor que estaria depositado em contas bancárias sob controle norte-americano. Fontes do setor indicam que a principal conta estaria localizada no Catar.

Rodríguez assumiu a presidência interina há dez dias, após a captura do presidente Nicolás Maduro por militares norte-americanos. Maduro foi levado aos Estados Unidos para responder a acusações relacionadas ao tráfico de drogas, que ele nega. A transição abriu espaço para uma nova dinâmica diplomática entre Venezuela e EUA, historicamente marcada por tensões.

No discurso, a presidente interina defendeu uma postura de diálogo com Washington e afirmou que está disposta a viajar aos Estados Unidos, se necessário, para conduzir negociações. Ela também declarou ter um plano político para 2026, com a promessa de “forjar uma nova política na Venezuela”, além de elogiar integrantes veteranos do governo.

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O anúncio da reforma petrolífera aconteceu pouco depois de a líder da oposição venezuelana, Maria Corina Machado, se reunir com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, na Casa Branca. Segundo a secretária de imprensa do governo norte-americano, Karoline Leavitt, Trump avaliou positivamente a postura de Rodríguez e a considerou cooperativa. Ainda de acordo com Leavitt, o presidente dos EUA não alterou sua posição sobre Machado não ser vista como alternativa viável para liderar a Venezuela neste momento.

Após a reunião, Machado declarou brevemente à imprensa que o encontro ocorreu de forma satisfatória e que seus apoiadores podem contar com respaldo político de Washington.

A proposta de reforma do setor petrolífero deve ser apresentada oficialmente nos próximos dias. Analistas acompanham o movimento como um indicativo de reestruturação econômica venezuelana e de possível reaproximação institucional com os Estados Unidos após anos de sanções e isolamento diplomático.

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