Criada em 2021 por Vanessa Sanches, a Powerlist BANTUMEN 100 consolidou-se como uma das principais iniciativas de reconhecimento de personalidades negras no espaço lusófono. Com cinco edições realizadas, o projeto articula trajetórias de impacto em áreas como cultura, política, economia, comunicação e ativismo, conectando histórias locais a uma narrativa internacional construída a partir dos próprios territórios negros.
Fundadora da BANTUMEN, Vanessa explica que a ideia da Powerlist não surgiu pronta. “A ideia surgiu em 2021, quando nos sugeriram criar uma Powerlist que desse visibilidade a personalidades negras com percursos de excelência. Na altura, tal como a proposta estava concebida, não fazia muito sentido para a BANTUMEN, por ter um ângulo demasiado global e pouco enraizado”, afirma.

O reposicionamento do projeto aconteceu quando o olhar se voltou para o espaço lusófono. Segundo Vanessa, apesar da existência de iniciativas semelhantes em outros contextos internacionais, não havia nada que conectasse países unidos pela língua portuguesa e por histórias comuns de colonialismo e apagamento. “Ao olharmos para o espaço lusófono, percebemos que não existia nada semelhante. Foi a partir daí que decidimos conversar com alguns meios de comunicação parceiros sobre a possibilidade de construir esta iniciativa em conjunto”, relata.
A adesão, segundo ela, foi imediata. A percepção compartilhada entre os parceiros era a mesma: havia inúmeras pessoas negras construindo percursos de excelência, com impacto real em seus países, mas que seguiam fora dos circuitos de visibilidade, sobretudo em nível internacional. “A Powerlist nasce precisamente dessa urgência de tornar esses caminhos visíveis”, destaca.
Hoje, a iniciativa envolve sete países: Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique, Portugal e São Tomé e Príncipe, e cresce como uma plataforma de encontros e reconhecimento transnacional. Parcerias editoriais, como a estabelecida com o Notícia Preta, integram o processo anual de seleção, reforçando a legitimidade e a credibilidade do projeto.
Para Vanessa Sanches, o caráter coletivo é central. “Ao estabelecer alianças com outros meios de comunicação de países lusófonos, estamos a construir uma narrativa partilhada que ultrapassa fronteiras e reforça a importância de contar as nossas próprias histórias enquanto comunidade negra global”, afirma.
Mais do que uma lista, a Powerlist BANTUMEN 100 funciona como um exercício de memória, reconhecimento e cuidado. “Na BANTUMEN, olhamos para esta iniciativa como um gesto que procura dizer a estas pessoas: o teu caminho importa, o que fazes tem valor e merece ser visto pelo mundo”, conclui Vanessa.









