Turista argentina ré por racismo no Rio pede desculpas pela primeira vez

argentina-racistas.png

Pela primeira vez desde que se tornou ré por racismo no Rio de Janeiro, a turista argentina Agostina Páez, de 29 anos, publicou um pedido de desculpas nas redes sociais nesta quarta-feira (11). A manifestação ocorre após o caso em que ela é acusada de fazer gestos imitando um macaco contra um garçom na capital fluminense.

No vídeo publicado, Agostina afirmou que não havia reconhecido publicamente o erro antes por orientação dos advogados que a representavam no início do processo. Segundo ela, a decisão de se pronunciar ocorreu após a troca de defesa e a mudança na estratégia jurídica. “Agora sinto que tenho a liberdade de fazer isso”, disse se referindo a poder pedir desculpas.

Durante o pronunciamento, a argentina afirmou assumir responsabilidade pelo ocorrido e declarou estar enfrentando as consequências do caso. “Não foi um erro pequeno meu ou algo sem importância… Eu cometi um erro e estou assumindo minha responsabilidade, e pagando as consequências disso. Eu realmente peço desculpas de coração a quem se sentiu ferido, humilhado com minha atitude”, afirmou.

Ela também disse que, na época, não compreendia a dimensão do racismo. “Por ignorânica, desconhecia o que era racismo e agora entendo que não é uma simples ofensa, e sim algo ofensivo para quem sofreu e sofre com isso até hoje”, declarou.

A turista argentina Agostina Páez, de 29 anos, publicou um pedido de desculpas nas redes sociais nesta quarta-feira – Foto: Reprodução redes sociais

O caso ocorreu em 14 de janeiro. A denúncia descreve que Agostina se dirigiu a um funcionário usando o termo “negro” de forma pejorativa, chamou pessoas de “mono”, palavra que em espanhol significa macaco, fez gestos imitando o animal e repetiu xingamentos como “negros de m…” e “monos”. Um vídeo com as cenas circulou nas redes sociais e motivou a investigação da Polícia Civil.

Com o avanço do processo, ela se tornou ré. Após a ordem de prisão, gravou depoimentos dizendo: “Estou desesperada, morrendo de medo, e faço este vídeo para que a situação que estou vivendo ganhe repercussão”. Também afirmou: “Tenho medo de ser prejudicada ao fazer este vídeo, de que meus direitos sejam ainda mais violados”.

Agostina chegou a dizer estar com medo duas vezes. Em conversa com o veículo argentino, Agostina descreveu o impacto emocional do processo. “Estou presa, com medo.” “No Brasil, o crime de discriminação e racismo é grave, é por isso que tudo isso acontece”, afirmou em entrevista ao Info Del Estero logo após receber tornozeleira.

Leia mais notícias por aqui: Coletivo cobra investigação após estudante negro sofrer agressão e fraturar nariz em escola

Thayan Mina

Thayan Mina

Jornalista pela Faculdade de Comunicação (FCS) da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj). Atualmente mestrando pelo PPGCOM da Escola de Comunicação (ECO) da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). É músico e sambista.

Deixe uma resposta

scroll to top