Integrantes da Corte LGBT+ do Carnaval do Rio relataram ter enfrentado episódios de discriminação, falta de estrutura e descumprimento de compromissos ao longo do período em que representaram a diversidade na folia. As queixas envolvem desde problemas logísticos e financeiros até situações de constrangimento durante ensaios e eventos oficiais.
Eleita em concurso realizado em outubro pela Riotur, a Corte LGBT+ foi formada por Wend Caster, representante das pessoas não-binárias, John Sorriso, muso, e Bianca Mourão, musa. Segundo os relatos, os primeiros sinais de tratamento desigual surgiram ainda nos minidesfiles realizados na Cidade do Samba, em novembro e dezembro. O grupo afirma que não teve acesso a camarim adequado, espaço para acompanhar apresentações e sequer estrutura básica, como água e alimentação.
Com a aproximação do carnaval, os integrantes dizem que ficaram sem agenda por cerca de um mês e meio, sob a justificativa de ausência de transporte, e acabaram excluídos de compromissos tradicionais, como a cerimônia de entrega das chaves da cidade ao Rei Momo. Também relatam que, em eventos e ensaios técnicos, foram separados da Corte Oficial e posicionados para desfilar atrás das escolas, em alguns casos próximos ao encerramento do desfile.

Durante os ensaios técnicos, Wend e John afirmam ter sido empurrados por seguranças, destratados por dirigentes de agremiações e submetidos a decisões sem explicação prévia, como a proibição do uso de figurinos previamente combinados. Em um ensaio de rua, Wend relata ter sido impedido de seguir com a corte por uma porta-bandeira de escola do Grupo Especial, sem que o pavilhão fosse apresentado para a saudação tradicional.
Outro ponto citado foi a redução do valor destinado ao aluguel das fantasias, liberado apenas uma semana antes do desfile, além de problemas na hospedagem durante os dias de apresentação na Sapucaí. Diante das experiências, Wend declarou que não pretende voltar a concorrer ao posto de representante da diversidade no carnaval. “Hoje se encerra um sonho. Sonho esse que se tornou um pesadelo”, afirmou em vídeo divulgado nas redes sociais.
As denúncias repercutiram entre sambistas, com manifestações públicas de apoio de musas e rainhas de bateria de diferentes escolas. Procuradas, a Riotur, responsável pela eleição da corte, e a Liesa, organizadora dos desfiles, não se manifestaram até a publicação.
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