Relatório dos EUA acusa China de manter instalações no Brasil com uso militar

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Foto: Alex Wroblewski/AFP

Comissão estadunidense mostram especial preocupação com a participação da China em uma estação na Bahia feita com uma empresa de satélites

Uma comissão do Congresso dos Estados Unidos afirmou, em relatório divulgado recentemente, que a China mantém uma rede de instalações espaciais na América Latina que poderiam ter uso militar. Entre os locais citados no documento estão duas estruturas situadas no Brasil, o que ampliou o debate sobre a presença estratégica chinesa na região.

O relatório foi produzido pela Comissão Seleta da Câmara dos Representantes dos EUA responsável por analisar a competição estratégica com o Partido Comunista Chinês. O grupo, criado em 2023, reúne parlamentares democratas e republicanos e tem como objetivo avaliar o avanço da influência de Pequim em áreas consideradas sensíveis para a segurança americana.

Comissão estadunidense mostram especial preocupação com a participação chinesa em uma estação na Bahia feita com uma empresa de satélites
Foto: Alex Wroblewski/AFP

O relatório é intitulado como “China em nosso quintal dos fundos: volume 2 – Puxando a América Latina para a Órbita da China”. Sob maioria republicada, a comissão responsável pelo relatório deixa clara a visão do presidente Donald Trump, de tratar a América Latina como “quintal dos fundos” de Washington.

Segundo o documento, a China estaria ampliando parcerias científicas e tecnológicas com países latino-americanos enquanto desenvolve uma infraestrutura espacial que poderia ter aplicações tanto civis quanto militares. Essas instalações, embora apresentadas como projetos de cooperação científica, poderiam servir para monitoramento de satélites, coleta de dados estratégicos e apoio a operações militares no espaço.

No caso brasileiro, o relatório menciona duas iniciativas. A primeira é a chamada Estação Terrestre de Tucano, localizada em Salvador, na Bahia. O projeto é resultado de uma parceria entre a empresa brasileira Ayla Space e a companhia chinesa Beijing Tianlian Space Technology, com o objetivo declarado de processar dados de satélites de observação da Terra. Parlamentares americanos, porém, afirmam que a estrutura poderia permitir o rastreamento de objetos espaciais e atividades militares na região.

A segunda instalação citada fica na Serra do Urubu, na Paraíba, onde foi criado um laboratório conjunto de radioastronomia entre instituições brasileiras e chinesas. De acordo com o relatório, tecnologias desenvolvidas nesse tipo de cooperação científica podem ter uso duplo — tanto para pesquisa quanto para aplicações de inteligência militar e rastreamento de alvos.

O documento também afirma que a China mantém outras instalações semelhantes em países da América do Sul, como Argentina, Venezuela, Bolívia e Chile. Para os parlamentares americanos, essas estruturas fariam parte de uma estratégia mais ampla de Pequim para ampliar sua presença tecnológica, econômica e militar na região.

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As acusações, no entanto, são contestadas por autoridades chinesas, que afirmam que os projetos de cooperação espacial têm objetivos científicos e de desenvolvimento tecnológico. No Brasil, parlamentares pediram esclarecimentos ao Ministério da Defesa sobre as parcerias citadas no relatório.

Layla Silva

Layla Silva

Layla Silva é jornalista e mineira que vive no Rio de Janeiro. Experiência como podcaster, produtora de conteúdo e redação. Acredita no papel fundamental da mídia na desconstrução de estereótipos estruturais.

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