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Professora Helena Theodoro é homenageada pelo Boi Garantido, em Parintins

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Após dois anos sem a festividade, o 55º Festival Folclórico de Parintins voltou com tudo e prestou uma homenagem à professora Helena Theodoro, a primeira doutora negra, referência na pesquisa sobre cultura negra, carnaval, samba e arte, folclore, experiências religiosas africanas e afro-brasileiras e relações raciais.

A professora e doutora em filosofia ao lado do Apresentador do Boi Garantido Israel Paulain – Foto: Wigder Frota

No evento, realizado no último sábado (25), Helena foi conduzida ao Bumbódromo pelo apresentador do Boi Garantido, Israel Paulain, e teve a oportunidade de falar para as milhares de pessoas que participavam do festival. Uma fala emblemática e reflexiva. “Somos as mães que o Brasil pariu! Mães que ensinaram e ensinam a todos sobre a importância da ancestralidade, do respeito e da cultura negra”, disse.

Presidente do Conselho Deliberativo do ELAS+, a professora Helena Theodoro também é Doutora em Filosofia e especialista em Educação, e sempre utilizou os elementos folclóricos e das manifestações populares em sala de aula, e defende que as histórias sejam incorporadas nos currículos das escolas. “Para mim foi uma honra e a realização de um sonho eu assistir o Boi. Eu sempre tive muita vontade de ir”, conta a filósofa que, aos 79 anos, participou do festival pela primeira vez.

A festa do Boi surgiu de um mito africano e foi ganhando contornos regionais de acordo com a cultura do lugar em que era realizada.  “A história do Boi de Parintins chega com um negro que vem do Maranhão. Mas, a gente tem o Boi no Brasil inteiro. As histórias contadas representam as comunidades de cada território. No de Parintins, o contexto é a comunidade indígena, os quilombos que existiam na região, e emancipação”, explica a professora.

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Helena Theodoro ressalta ainda como a mitologia em torno do Boi representa a resistência da comunidade negra no Brasil. “Todas as manifestações culturais no Brasil são resistência da cultura africana – Boi Bumbá, folia de Reis, congada… O que as manifestações populares fazem o tempo inteiro é mostrar que a vida da comunidade negra não começa quando chegam escravizados no Brasil. A África tem 10 mil anos de História. Existe toda uma visão política, toda uma religiosidade, todo uma filosofia”, conclui.

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