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O técnico que revolucionou Gana

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Por Luis Fernando Filho

Para os mais jovens, é mais corriqueiro recorrer à história recente de Gana na Copa Africana de Nações e, sobretudo, aos grandes nomes do século 21 como Asamoah Gyan, Michael Essien, Kingston, Appiah e tantos outros. Apesar disso tudo, os ganeses não sabem o que é vencer o torneio desde 1982, há quarenta anos.

Foto: CAFOnline

Pouco conhecido no Brasil, a trajetória de Nana Charles Kumi Gyamfi se confunde com a própria história do futebol ganês. Mais chamado como CK Gyamfi, o falecido técnico marcou gerações não só fora do gramado, mas também como jogador. Nós até poderíamos citar todos os feitos como atleta, principalmente pelos gigantes do país Asante Kotoko e Hearts of Oak

Todavia, é impossível não citar o trabalho de Gyamfi como o comandante que deu o primeiro título continental à seleção de Gana. Aliás, é bom citar a relação do profissional desde a época de atleta com um dos maiores presidentes da história do país, o pan-africanista Kwame Nkrumah. Ambos eram próximos devido à paixão do líder político pelos esportes e, acima de tudo, da ideia de pan-africanização das “Estrelas Negras”, como são conhecidos até hoje.

As décadas de 1960 foram primordiais para o desenvolvimento do futebol local com o apoio do Estado. Era imprescindível, portanto, que o técnico da seleção fosse um profissional ganês com visão aguçada e moderna. E esse perfil era de CK Gyamfi. Com 34 anos, ele se tornou o primeiro técnico negro a treinador a seleção ganesa. E mais do que isso, a base de pensamento foi a Seleção brasileira de Pelé, Garrincha e Didi.

Justamente naquela época, o presidente Nkrumah patrocinou uma viagem para Gyamfi conhecer os métodos dos brasileiros para descobrir “o grande segredo” das primeiras conquistas mundiais do Brasil. De lá, ele voltou para Gana e na CAN de 1963, sediada pelo país, conquistou o primeiro troféu continental das Estrelas Negras.

Como se não bastasse, na edição seguinte disputada na Tunísia, o lendário treinador conquistou a segunda Copa Africana consecutiva, em 1965. Aquela geração, inclusive, contava com nomes como Osei Kofi, o capitão Addo Odametey, Ben Acheampong e Frank Odoi, entre outros. Já em 1982, o tricampeonato da seleção, Gyamfi selou o seu nome na história como o técnico mais vencedor do torneio continental- feito alcançado somente 28 anos depois pelo egípcio Shehata, em 2010.

Em 2022, quando completa-se 40 anos do último título ganês na Copa Africana, a seleção terá pela frente a quebra de um grande tabu que perdura nas últimas décadas. É possível sonhar com a taça voltando para casa?

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