A representação de pessoas negras nos postos de chefia do serviço exterior brasileiro é extremamente baixa, ficando em apenas 4,9%. A informação consta da quarta edição do Boletim Estatístico Étnico-Racial do Serviço Exterior Brasileiro, produzido pelo Ministério das Relações Exteriores (MRE) com dados de setembro de 2025, obtidos via Lei de Acesso à Informação dada em primeira mão pelo jornal Brasil de Fato.
Em toda a carreira diplomática, os autodeclarados negros são 15,7%, um contraste flagrante com os 55,5% da população brasileira identificada como preta ou parda no Censo de 2022. A hierarquia funcional do Itamaraty revela um fenômeno de estreitamento racial conforme se sobe na carreira. Entre os terceiros-secretários, nível de ingresso, os negros representam 33,9%.
No topo, entre os ministros de primeira classe, essa porcentagem cai para 6,3%, enquanto os brancos constituem 90,1% desse estrato. A função de chefe de posto no exterior, que inclui embaixadores e cônsules-gerais, é majoritariamente branca: 91,7% dos 204 postos são comandados por pessoas brancas.

Questionado sobre os números, o Itamaraty emitiu nota atribuindo a baixa representatividade à “própria estrutura da carreira”, que é de progressão lenta e baseada em concursos públicos, limitando intervenções de efeito imediato. A pasta também citou iniciativas de promoção da diversidade, como o Programa de Ação Afirmativa, criado em 2002 para conceder bolsas a candidatos negros ao concurso de admissão, com 78 bolsistas aprovados até o momento.
Em dezembro de 2024, o ministério lançou seu Plano de Ação para o Programa Federal de Ações Afirmativas, um documento que lista diretrizes para promover equidade. No entanto, o plano não define metas numéricas ou prazos específicos para reverter a sub-representação nos cargos de liderança.
Um caso que ganhou repercussão ilustra disputas internas. Em entrevista ao jornal Correio Braziliense, em fevereiro de 2024, a embaixadora Isabel Cristina de Azevedo Heyvaert afirmou ter sido preterida em uma promoção para ministra de primeira classe. Ela era a única mulher negra no quadro elegível e estava na 25ª posição da lista, mas a promoção foi dada a um homem branco na 61ª colocação.
“Não há registros escritos ou atas das reuniões que definem promoções no quadro especial”, criticou a diplomata, que ajuizou um mandado de segurança. O MRE declarou não comentar processos judiciais.
A presença feminina também é minoritária na carreira, correspondendo a 23% do total de diplomatas e a apenas 18% das chefias de posto no exterior.
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