Mulheres, negros e nordestinos lideram desalento mesmo com queda na taxa

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Taxa de desalento cai para 2,4%, mas mulheres, negros e nordestinos seguem maioria entre os desalentados. - Imagem gerada por IA

Apesar da recuperação do mercado de trabalho nos últimos anos, mulheres, negros e moradores do Nordeste continuam sendo maioria entre os desalentados no Brasil. A taxa de desalento caiu de 5,5% no primeiro trimestre de 2021 para 2,4% no terceiro trimestre de 2025, mas o perfil do grupo pouco se alterou no período.

Os dados fazem parte de estudo do FGV Ibre com base na Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua), do IBGE. No terceiro trimestre de 2025, o país registrava 2,6 milhões de desalentados. São pessoas que desistiram de procurar emprego por acreditarem que não conseguiriam uma vaga, embora desejassem trabalhar e estivessem disponíveis.

Taxa de desalento cai para 2,4%, mas mulheres, negros e nordestinos seguem maioria entre os desalentados. – Imagem gerada por IA

Regionalmente, Norte e Nordeste concentraram as maiores taxas ao longo dos quatro anos analisados. No início de 2021, o Nordeste registrava taxa de 12%, mais que o dobro da média nacional. O Norte aparecia com 9%. Em 2025, o indicador caiu para 6% no Nordeste e 2,9% no Norte, mas ambas as regiões seguiram acima da média nacional de 2,4%.

Em números absolutos, 17% dos desalentados do país estavam no Maranhão no terceiro trimestre de 2025, o equivalente a 453 mil pessoas. A Bahia aparece em seguida, com 298 mil, ou 11% do total. São Paulo ocupou a terceira posição, com 259 mil, cerca de 10%.

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Segundo o economista João Mário de França, um dos responsáveis pelo estudo, as taxas mais elevadas no Norte e Nordeste refletem menor dinamismo econômico e níveis mais baixos de escolaridade. Ele afirma que regiões com menor atividade econômica geram menos empregos, o que aumenta a probabilidade de desestímulo entre quem busca uma vaga.

O levantamento também evidencia desigualdades raciais e de gênero. Pretos e pardos representaram entre 70% e 75% dos desalentados no período, enquanto os brancos variaram entre 24% e 26%. Para o pesquisador, o dado está associado à discriminação racial ainda presente no país.

As mulheres também permaneceram maioria entre os desalentados. No primeiro trimestre de 2021, representavam 54,5% do total. Em 2025, estavam em 54,3%, mantendo predominância estável ao longo do período.

Entre os fatores analisados, a escolaridade aparece como o mais associado ao desalento. A maior parte dos desalentados possui ensino fundamental incompleto, grupo que oscilou entre 33% e 34,5%. Pessoas com ensino superior completo ou incompleto representaram menos de 8% do total em 2025.

O estudo aponta que o desalento não é apenas resultado de oscilações econômicas conjunturais, mas reflexo de desigualdades estruturais no acesso a oportunidades. Segundo o economista, a manutenção de taxas elevadas pode comprometer o crescimento econômico e a produtividade do país, além de aprofundar a exclusão social.

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