Justiça reconhece povo Kanela e garante inclusão de nome indígena em registros civis

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Marcelo Camargo/Agência Brasil

Decisões da Justiça do Tocantins garantiram ao povo Kanela o direito de incluir a etnia em seus registros civis, com a retificação de nomes e sobrenomes. Ao todo, 11 processos reconheceram a identidade indígena de famílias que buscavam a correção oficial de seus documentos.

As sentenças determinaram a alteração de certidões de nascimento e casamento para incluir o sobrenome “Kanela” e nomes indígenas escolhidos pelos próprios integrantes da comunidade. As decisões também asseguram a emissão gratuita de novos documentos e a atualização dos nomes de pais e avós nos registros.

Os casos tiveram atuação da Defensoria Pública do Tocantins, por meio do Núcleo de Minorias e Ações Coletivas de Gurupi. O acompanhamento começou em 2017, durante uma ação na aldeia Crim Pa Tehi. Na época, parte dos pedidos foi negada sob o argumento de que a etnia não tinha reconhecimento formal no estado.

As sentenças determinaram a alteração de certidões de nascimento e casamento para incluir o sobrenome “Kanela” – Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil.

A Defensoria recorreu das decisões e pediu a realização de estudo antropológico. A análise confirmou que os indígenas pertencem ao povo Kanela. Um laudo pericial da Justiça também apontou que o grupo integra o tronco linguístico Jê e o conjunto Timbira, com origem no Maranhão.

O estudo indicou que a comunidade migrou para o Tocantins em 1952 após pressões de latifundiários. Mesmo fora de seu território original, o grupo manteve organização social, práticas culturais e formas próprias de identificação, ainda que por anos tenha sido classificado de forma pejorativa como “caboclo”.

A perícia identificou 485 indígenas distribuídos em 20 famílias. O levantamento também registrou a continuidade de práticas como agricultura de subsistência, produção artesanal, pinturas corporais e organização política liderada por caciques.

A identificação de cemitérios ancestrais na região de Araguaçu foi considerada como evidência da permanência histórica do grupo no território.

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Thayan Mina

Thayan Mina

Jornalista pela Faculdade de Comunicação (FCS) da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj). Atualmente mestrando pelo PPGCOM da Escola de Comunicação (ECO) da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). É músico e sambista.

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