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Jesus é negro. Feliz Páscoa!

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Séculos e séculos de eurocentrismo levaram boa parte da humanidade a ter certeza de que Jesus era loiro de olhos azuis. Tal afirmação é geneticamente impossível. Sim vamos falar de lógica e fé, vamos desconstruir a imagem mais conhecida de Jesus Cristo: um homem branco, barbudo, de longos cabelos castanhos claros e olhos azuis. Essa imagem está no inconsciente e nos altares dos cerca de 2 bilhões de cristãos no mundo. Ela nada mais é do que uma construção que em nada tem a ver com a realidade. Dizer que Jesus é loiro é uma forma dele ser aceito por uma sociedade eurocêntrica, que foi e é até o presente momento. Aceitamos o sagrado branco e demonizamos o sagrado negro.

O cristianismo “confunde” propositalmente nossas mentes ao começar pela Bíblia, conjunto de livros sagrados cujo Novo Testamento narra a vida de Jesus – e os primeiros desdobramentos de sua doutrina. No livro não há qualquer menção que indique como era sua aparência. Onde está escrito nos evangelhos que Jesus era branco caucasiano?  A única coisa que se diz é sua idade aproximada, cerca de 30 anos.

Mas vamos manter a lógica da razão. Há aproximadamente uns cinco anos uma equipe de arqueólogos da Universidade de Tel Aviv, em Israel, descobriu uma coleção de pergaminhos antigos na região de West Bank, mesmo local onde Manuscritos do Mar Morto foram originalmente descobertos em 1947. Segundo os estudiosos, os documentos datam entre 408 a.C. a 318 d.C e trazem informações sobre as características físicas do menino Jesus ao nascer: “A criança era a cor da noite”, diz parte do fragmento da escritura. “No escuro da noite, nada do bebê podia ser visto, exceto o branco de seus olhos”, diz outro trecho. Os pesquisadores também revelaram a existência de Hamshet, que seria o meio-irmão de José, pai de Jesus. No documento, Hamshet é descrito como “não confiável”, “malfadado” e também negro.

Concepção artística do designer gráfico especialista em reconstituição facial forense Cícero Moraes mosta que judeus que viviam no Oriente Médio no século 1 tinham a pele, o cabelo e os olhos escuros

Ter um Cristo branco legitima práticas comerciais racistas e comportamentos abomináveis da sociedade. Ao afirmar que negros e indígenas eram inferiores, era justificada a expansão marítima européia, a colonização e a escravidão. Os brancos não vão adorar um Jesus negro e não poderão utilizar desse argumento para explorar outros negros.

Mas voltemos às pesquisas, a ciência e a lógica para comprovar uma coisa que é óbvia: Jesus é negro! O especialista forense em reconstruções faciais britânico Richard Neave utilizou conhecimentos científicos para chegar a uma imagem que pode ser considerada próxima da realidade. Em um documentário produzido pela BBC em 2011, Richard analisou três crânios do século 1, de antigos habitantes da mesma região onde Jesus teria vivido. O pesquisador recriou em uma modelagem 3D, como seria um rosto típico dos habitantes daquela região, que poderia muito bem ter sido o de Cristo

Após anos de pesquisa a historiadora neozelandesa ,Joan E. Taylor, também concluiu o óbvio, Jesus tinha a pele escura. Segundo ela, os judeus da época eram biologicamente semelhantes aos judeus iraquianos de hoje, com cabelos castanho-escuros ou  pretos, olhos castanhos, pele escura. Um homem típico do Oriente Médio.

É louco ter que explicar que não tem como nascer um loiro de olho azul e cabelos lisos em uma região onde toda a população não é assim. Seria como acreditar que nasceu numa aldeia indígena, filho de indígenas, uma criança loira de olhos verdes. Não tem como. Quando analisamos a fisionomia de homens do deserto, gente que vive sob o sol intenso, é lógico que isso de Jesus loiro não é verdade. Ele pode até ter existido, mas caucasiano não era.

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