Especialistas apontam estabilidade econômica em 2026 e alertam para cautela no bolso

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Com a chegada de 2026, economistas projetam um cenário de relativa estabilidade para a economia brasileira, sem grandes saltos de crescimento, mas também sem crises abruptas. A avaliação é de que o próximo ano deve repetir, em grande parte, o desempenho de 2025: inflação controlada, crescimento moderado e desafios persistentes no mercado de trabalho, especialmente para a população mais vulnerabilizada.

Segundo análises do mercado, o Produto Interno Bruto (PIB) deve crescer em torno de 2%, impulsionado principalmente pelo agronegócio, pelas exportações de commodities e por investimentos em infraestrutura. Ainda assim, especialistas alertam que esse ritmo é insuficiente para reduzir desigualdades históricas e melhorar de forma estrutural as condições de vida da maioria da população.

O economista Paulo Feldmann, professor da Faculdade de Economia, Administração, Contabilidade e Atuária (FEA) da Universidade de São Paulo (USP), avalia que o Brasil segue preso a um modelo de crescimento limitado. “O Brasil continua tendo um problema sério, que é o crescimento de ‘voo de galinha’. Quando cresce, cresce 3%. Muito diferente de países asiáticos, que crescem a taxas de 8% ou 10% ao ano”, afirma. Para ele, a ausência de um projeto de longo prazo compromete avanços mais consistentes.

No cotidiano das famílias, os alimentos seguem como um dos principais fatores de pressão no orçamento, apesar da desaceleração da inflação geral. A expectativa de uma boa safra em 2026 pode ajudar a aliviar os preços, mas isso ainda depende de fatores climáticos e do cenário internacional. O emprego deve continuar em recuperação, porém com forte presença da informalidade, o que afeta especialmente trabalhadores negros, que historicamente ocupam postos mais precarizados e sem proteção social.

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Outro ponto de atenção é a política de juros. O Banco Central tende a manter taxas em patamares mais baixos para estimular o consumo e o crédito, mas qualquer instabilidade fiscal pode interromper esse movimento, encarecendo financiamentos e dificultando o acesso a bens essenciais como moradia e transporte.

Diante desse cenário, a recomendação dos especialistas é cautela. Organizar o orçamento doméstico, evitar dívidas com juros elevados e priorizar aplicações simples e de baixo risco aparecem como estratégias fundamentais. “2026 pode trazer oportunidades, mas o segredo continua sendo planejamento financeiro e prudência”, resume Feldmann.

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