Delegacia de Crimes Raciais do Rio tem quase 50% do quadro de funcionários reduzido

image_processing20231101-6030-1w33h39.jpeg

A Polícia Civil do Estado do Rio inaugura a Delegacia de Combate a Crimes Raciais e Delitos de Intolerância (Decradi), na Lapa.

Na última terça-feira (31), durante audiência pública pela Comissão de Representação da Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj), foi divulgado que a Delegacia de Crimes Raciais e Delitos de Intolerância (Decradi) no Rio de Janeiro, teve uma redução de quase 50% do seu quadro de funcionários.

Segundo a chefe de polícia da Decradi, delegada Rita de Cássia, durante a Comissão para Acompanhar o Cumprimento das Leis (Cumpra-se) da Alerj, a redução de profissionais atuando na delegacia aconteceu por falta de novos concursos públicos. A Decradi já está há cinco anos no Rio, instalada em 2018 por meio da aprovação da Lei 5.931/11 na Alerj.

Neste ano, quando foi inaugurada no Estado, a delegacia localizada no Centro do Rio, possuía 20 funcionários, e hoje o número chega a 11 pessoas. De acordo com a delegada, essa a única unidade do Estado direcionada a investigar crimes dessa natureza, mas que eles também podem e devem ser investigados pelas delegacias distritais, não especializadas.

A Decradi, que investiga de maneira especializada em crimes raciais, de preconceito e intolerância religiosa, só tem uma unidade em todo o Estado /Foto: Fernando Frazão – Agência Brasil

Qualquer delegacia pode investigar esses crimes, mas sabemos que na Decradi o atendimento vai ser mais especializado e a investigação é direcionada. A verdade é que a polícia civil como um todo foi esvaziada, com muitas aposentadorias, por falta de concurso. Temos que lembrar que os servidores estão envelhecendo”, explicou Rita de Cássia.

Um dos desafios, segundo a delegada, também é conseguir funcionários qualificados para lidar com esse tipo de crime. “Além de aumentar o contingente, é preciso que esses policiais dominem o assunto. Temos uma turma em treinamento na Acadepol, atualmente, e esperamos ter esse quadro reformulado em breve, com profissionais especializados. Afinal, estamos lidando com crimes delicados e sensíveis”, disse Rita.

Após o anúncio sobre a situação da Decradi, o autor da lei que a criou, o deputado Átila Nunes (PSD) anunciou durante a reunião que se encontrou com o Governador do Rio, Cláudio Castro, que afirmou que vai recompor o quadro de funcionários da delegacia.

Não vamos conseguir os 20 servidores de volta, mas sai do Palácio Guanabara com a promessa de que o número de funcionários vai aumentar. Considero essa lei a maior conquista contra a intolerância religiosa aprovada no Parlamento Fluminense e ter esse instrumento sucateado não é uma opção”, afirmou Átila Nunes.

Leia também: Governo lança edital para enfrentamento da vulnerabilidade racial

Bárbara Souza

Bárbara Souza

Formada em Jornalismo em 2021, atualmente trabalha como Editora no jornal Notícia Preta, onde começou como colaboradora voluntária em 2022. Carioca da gema, criada no interior do Rio, acredita em uma comunicação acessível e antirracista.

Deixe uma resposta

scroll to top