Dor intensa, desmaios, paralisia no corpo, crises de epilepsia. Esses são alguns dos sintomas que a fotógrafa e artista visual Márvila Araújo, com um trabalho voltado para a espiritualizada de religiões de matriz africana, compartilhou em suas redes sociais, sobre a forte crise de ‘Cefaleia em Salvas’ que está enfrentando. Em um relato íntimo e impactante sobre a dor excruciante causada pela doença que a fez ser hospitalizada, a fotógrafa detalhou os sintomas e os desafios da internação.
Segundo a Dra. Cristiana Góes, professora da Faculdade de Ciências Médicas da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), responsável pelo Setor de Cefaleias do Serviço de Neurologia, o risco da doença está associada a causa ser secundária. “Ela pode ser primária (quando a doença é a própria dor de cabeça) ou secundária a alguma causa. Secundária que pode ser tumor de hipófise, má formação vascular ou outros tumores cerebrais“, afirma a médica, que reforça a importância de investigar as causas com exame de imagem.

Em stories e posts recentes, Márvila descreveu a dor como uma das piores que já sentiu, afirmando que ela não aliviava com analgésicos comuns. “A dor é tão intensa e insuportável que eu perco a consciência e desmaio“, escreveu nas redes.
Ela estava internada no Hospital da Unimed em Vitória (ES), desde o dia 20 de março, e agora foi transferida para o Hospital São Luiz. Mas seu primeiro episódio, segundo ela, foi em 2021 durante sua gravidez, quando também foi hospitalizada. A fotógrafa também revelou que a crise a impediu de trabalhar e até mesmo de realizar tarefas simples, na época. “Não conseguia olhar para a luz, tinha náuseas e precisei ficar dias no escuro. Foi assustador porque nunca tinha sentido algo assim”.
Recentemente Márvila também conta que enfrenta dificuldades no hospital, os acusando de negligência.
“Fui submetida na noite passada a um exame de elétrons na cabeça que durou o tempo de 12 horas. Tive convulsões graves durante toda a noite e durante a manhã do do dia de hoje (02 de abril). Porém, sem me apresentar fisicamente o laudo, o neurologista e o psicólogo foram ao quarto que eu estou alojada para dizer que tenho duas doenças. Uma é a cefaleia, que segundo ele, ja estava controlada e eu seguia de alta hospitalar e a segunda doença é psiquiátrica que foi acusada nesse exame das convulsões e que eu deveria ser encaminhada para uma clínica psiquiátrica“, conta ela, que continua:
“Questionei receber esse diagnóstico sem ter acesso ao laudo, porque eu nunca tive convulsões em toda minha vida e nem os desmaios, que estão acontecendo diariamente. Estou sendo tratada como louca, como sempre fazem com as pessoas negras“, afirma.
A artista afirmou que pretende pedir por políticas públicas que garantam protocolos eficazes nos hospitais, para que os “tratamentos sejam de fato humanizados e respeitados“.
O Notícia Preta entrou em contato com a Unimed Vitória sobre o caso, que informou por meio de nota, seguem “rigorosamente os protocolos médicos e as diretrizes dos órgãos reguladores“, e que não divulga detalhes dos prontuários “em respeito ao sigilo médico e à privacidade dos pacientes“, mas garante que os procedimentos “todos os procedimentos “são conduzidos por equipes especializadas, com base em critérios técnicos e clínicos, garantindo a melhor assistência dentro da cobertura do plano contratado“. A nota continua:
“A cooperativa reafirma que não compactua com qualquer forma de discriminação ou violação de direitos, mantendo seu compromisso com a ética, o atendimento humanizado e a transparência. A Unimed Vitória segue à disposição nos canais oficiais para eventuais esclarecimentos“, afirma a instuição, sobre o caso.
Mais detalhes sobre a doença
A Dra. Cristiana Góes afirma que existem mais de 100 tipos de cefaleia na classificação Internacional de Cefaleias, sendo as mais frequentes a Cefaleia em Salvas e a enxaqueca. “Cefaleia em salvas e um tipo de dor de cabeça de intensidade extremamente forte (excruciante) que vem diariamente por um período determinado. Entre 1 e 8 crises ao dia, geralmente no mesmo horário e que dura entre 30 e 180 min, que ocorre de um lado da cabeça“, diz a médica.
Junto da ador a especialista diz que o paciente também tem lacrimejamento, olho vermelho, nariz entupido ou escorrendo. “Essas crises podem, inclusive despertar o paciente na madrugada por conta de sua intensidade“, aponta.
Segundo a médica, a doença pode começar como cefaleia em salvas episódica, ou seja, que vem em períodos de 15 dias até alguns meses mais ou menos na mesma idade e época do ano. Mas ela pode evoluir para a forma crônica “onde o paciente permanece com a dor diária todos os dias do ano“.
A Dra. aponta que se a Cefalei estiver acompanhada de epilepsia, como no caso da fotógrafa, “fica mais provável de ser e secundária pois é um sintoma cortical“. Assim ela também destaca os iscos da crise epilética (Cair, se machucar, bronco aspiração e até morte súbita), que segundo ela, são os mesmos de uma crise convulsiva “independente de ter dor associada ou não”.
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