O Brasil aparece entre os países com maior percepção de bem-estar no mundo, com índices elevados de satisfação com a própria vida. O dado é do relatório Global Happiness Study, da Ipsos, que posiciona o país como o sétimo mais feliz do mundo.
A pesquisa, aponta que 80% dos brasileiros se consideram felizes, superando a média global. O levantamento analisou diferentes faixas etárias e mostrou que a satisfação é ainda maior entre pessoas de 50 a 74 anos, com 82% relatando felicidade.
As mulheres também apresentam índices ligeiramente superiores aos dos homens. Segundo o estudo, 54% delas se dizem felizes, contra 50% dos homens. O Brasil também se destaca na América Latina, mantendo níveis de satisfação próximos aos de países como Colômbia e México.

Apesar do cenário positivo, os dados contrastam com uma realidade crescente de adoecimento mental no país. O Brasil enfrenta uma crise na área, com impacto direto na vida da população e no mercado de trabalho.
Em 2025, mais de 546 mil brasileiros se afastaram do trabalho por transtornos mentais, o maior número já registrado. No ano anterior, já havia sido observado um aumento significativo: foram 472 mil licenças médicas, alta de 68% em relação a 2023, segundo o Ministério da Previdência Social.
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Ansiedade e depressão lideram como principais causas desses afastamentos, consolidando um cenário que especialistas classificam como uma “epidemia silenciosa”. O problema também se reflete na percepção da população: cerca de 54% dos brasileiros apontam a saúde mental como o maior desafio de saúde do país.
Em outra pesquisa, o tema já supera o câncer como principal preocupação para 52% da população, evidenciando a centralidade da questão no cotidiano dos brasileiros.
O ambiente de trabalho aparece como um dos principais fatores de pressão. Jornadas extensas, cobrança por produtividade e instabilidade econômica contribuem para o aumento dos casos. Mulheres são maioria entre os afastamentos, ainda que enfrentem desigualdades de renda e, muitas vezes, menor acesso a redes de apoio.
Mesmo diante desse cenário, o levantamento da Ipsos indica que os brasileiros mantêm uma visão positiva sobre a vida, sustentada por fatores culturais, relações sociais e expectativas de melhora.
O contraste entre os altos índices de felicidade declarada e o crescimento dos transtornos mentais revela um país atravessado por contradições. Mais do que medir satisfação, os dados apontam para a necessidade de ampliar o debate sobre saúde mental e as condições de vida que impactam diretamente o bem-estar da população.









