Bahia lança 780 milhões de litros de esgoto por dia e maioria da população segue sem rede

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Foto: koosen / Shutterstock.com

A Bahia despejou, em 2024, mais de 780 milhões de litros de esgoto por dia em rios, córregos e praias. O volume equivale a 52,5 litros diários por habitante e expõe um cenário estrutural: 58,4% da população do estado ainda não tem acesso à rede geral de esgoto.

Os dados são do estudo “Benefícios Econômicos da Expansão do Saneamento na Bahia”, do Instituto Trata Brasil em parceria com a EX ANTE Consultoria.

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O déficit de saneamento impacta diretamente a qualidade da água. Segundo o mais recente boletim do Inema, o estado registra 110 pontos impróprios para banho. Salvador, capital com forte vocação turística, aparece com apenas uma praia considerada adequada no levantamento divulgado neste mês.

O acesso à água tratada também não é universal. Em 2024, cerca de 2,8 milhões de pessoas na Bahia viviam sem abastecimento regular de água potável, o que representa 19,2% da população estadual.

Os municípios com menor índice de tratamento de esgoto estão no interior. Em Irecê, apenas 10,2% do esgoto gerado recebe tratamento. Em Paulo Afonso, o índice é de 16,7%. Em Feira de Santana, segundo maior município do estado, apenas 28,6% do esgoto é tratado.

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O levantamento também associa saneamento a renda e escolaridade. Na Bahia, pessoas com acesso aos serviços básicos têm renda média de R$ 2.317. Entre quem não tem acesso, a média cai para R$ 1.332. Entre crianças, a diferença na escolaridade média supera dois anos: 8,64 anos para quem vive em áreas com saneamento e 6,20 anos para quem não tem acesso.

O Marco Legal do Saneamento estabelece a universalização até 2040. Hoje, a Bahia investe cerca de R$ 83 por habitante ao ano no setor, abaixo da média nacional de R$ 139 e distante dos R$ 223 estimados como necessários para cumprir a meta.

Em um estado com forte desigualdade territorial e racial, o saneamento segue sendo um dos principais indicadores de exclusão estrutural.

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