Após blackface na tribuna parlamentares acionam Conselho de Ética contra Fabiana Bolsonaro em SP

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O Conselho de Ética da Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp) vai analisar um pedido de cassação do mandato da deputada Fabiana Bolsonaro (PL). Parlamentares de partidos como PT, PSOL, PCdoB e PSB protocolaram uma representação contra a colega após ela utilizar a tribuna na quarta-feira (18) para um discurso em que realizou a prática de blackface e fez declarações sobre pessoas trans.

Durante a sessão, a deputada pintou o rosto de marrom, em sua fala, Fabiana argumentou que, assim como uma pessoa branca não se torna negra ao se maquiar, uma pessoa trans não seria mulher. Ela citou a deputada federal Érika Hilton, que preside a Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher na Câmara, para afirmar que mulheres trans estariam ocupando o espaço de mulheres cisgênero.

A representação assinada por 18 deputados estaduais sustenta que a conduta configura racismo e transfobia, além de quebra de decoro parlamentar. O documento afirma que o ato foi intencional e premeditado, ultrapassando os limites da liberdade de expressão e da imunidade parlamentar. O texto cita a Lei nº 7.716/1989, que criminaliza o racismo, e a equiparação da homotransfobia a esse crime pelo Supremo Tribunal Federal (STF).

Blackface é considerado uma prática racista, que ridiculariza a população negra – Foto: Reprodução/Alesp.

Os autores do pedido argumentam que o uso do blackface no plenário representa uma violência simbólica contra a população negra e que as declarações sobre pessoas trans reforçam estigmas e deslegitimam a participação desse grupo na sociedade. Para eles, a atitude da deputada compromete a imagem da Alesp e configura abuso das prerrogativas do mandato.

A deputada Monica Seixas (PSOL) também registrou um boletim de ocorrência contra Fabiana Bolsonaro na Delegacia de Crimes Raciais e Delitos de Intolerância (Decradi).

Em publicação nas redes sociais, Fabiana Bolsonaro afirmou que suas falas estão sendo distorcidas. Disse que defende que negros sejam representados por negros, mulheres por mulheres e travestis por travestis, e que um grupo não deve ocupar o lugar do outro.

A Alesp informou, por meio de nota, que a análise de casos que possam exceder a imunidade parlamentar é de competência do Conselho de Ética. A Casa destacou que a inviolabilidade dos deputados por suas palavras e opiniões é uma garantia constitucional para assegurar a liberdade no exercício do mandato.

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Thayan Mina

Thayan Mina

Jornalista pela Faculdade de Comunicação (FCS) da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj). Atualmente mestrando pelo PPGCOM da Escola de Comunicação (ECO) da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). É músico e sambista.

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