Alta qualificação não garante igualdade para professores negros no acesso aos mesmos cargos que brancos, diz pesquisa

professora-paula-janaina_mcamgo_abr_30102024-9.webp

Estudo revela que professores pretos que ocupam vagas de gestão mesmo com alta qualificação é de 18,2% enquanto as pessoas brancas concentram 59,1% das funções

Uma pesquisa da Universidade Federal do Espírito Santo mostra que professores negros precisam atingir níveis mais altos de qualificação acadêmica para ocupar os mesmos cargos que colegas brancos e, ainda assim, seguem sub-representados nas posições de liderança.

O estudo, desenvolvido no Programa de Pós-Graduação Profissional em Educação (PPGPE/Ufes), analisou a trajetória de profissionais que atuam como coordenadores pedagógicos na rede estadual de ensino. O dado mais revelador está no nível de formação: entre os professores pretos que conseguiram chegar a esses cargos, 100% possuem mestrado ou doutorado. Já entre os professores brancos, a maioria ocupa as mesmas funções com titulações mais baixas, como especialização.

professores
Professores negros enfrentam dificuldades em ocupar cargos de gestão nas escolas mesmo tendo acúmulo de títulos e formações na área – Foto: Pexels

O estudo também revela que para os docentes negros o caminho a liderança exige um acúmulo maior de títulos, tempo de estudo e investimento acadêmico, os professores pretos que ocupam vagas de gestão mesmo com alta qualificação é de 18,2% enquanto as pessoas brancas concentram 59,1% das funções. Mesmo com essa alta qualificação, a presença de profissionais negros nos cargos de gestão continua menor. Ou seja, nem mesmo o topo da formação acadêmica é suficiente para garantir igualdade de acesso às posições de decisão dentro das escolas.

Racismo como barreira na trajetória profissional

O estudo intitulado como “Articulação da educação antirracista pela coordenação pedagógica em escolas da rede estadual de ensino do Espírito Santo”, revela que os profissionais negros na educação enfrentam obstáculos que não aparecem nos critérios formais. Para o pesquisador Josimar Nunes, o racismo atua como uma “barreira invisível” na trajetória profissional, dificultando o acesso a espaços de decisão independentemente do preparo acadêmico, o que significa que mesmo tendo acúmulo de títulos e conhecimento, ainda não é o suficiente para que um professor negro equilibre as oportunidades no mercado de trabalho.

Leia também: Pé-de-Meia reduz abandono escolar no ensino médio em 43% em dois anos

A dissertação de mestrado desenvolvida por Josimar Nunes, sob orientação da professora Rosemeire Brito, aprofunda o debate ao analisar como esses profissionais atuam na implementação da Educação das Relações Étnico-Raciais (Erer) em escolas vinculadas à Superintendência Regional de Educação de Cariacica. A regional abrange municípios como Cariacica, Santa Leopoldina, Viana e Marechal Floriano.

Layla Silva

Layla Silva

Layla Silva é jornalista e mineira que vive no Rio de Janeiro. Experiência como podcaster, produtora de conteúdo e redação. Acredita no papel fundamental da mídia na desconstrução de estereótipos estruturais.

Deixe uma resposta

scroll to top