Acordar repetidamente durante a madrugada com sede, inquietação ou sensação de alerta pode estar relacionado a oscilações nos níveis de glicose no sangue. O fenômeno ocorre quando o organismo precisa intervir para manter o equilíbrio energético durante o sono, interrompendo fases importantes de recuperação física e mental.
O cérebro depende quase exclusivamente da glicose como fonte de energia, inclusive durante o repouso noturno. Quando os níveis de açúcar no sangue caem além do esperado, o fígado libera reservas de glicose na corrente sanguínea para evitar prejuízos às funções cerebrais. Esse processo, porém, exige a liberação de hormônios como o cortisol e a adrenalina, substâncias associadas ao estado de alerta. Como consequência, o corpo desperta, muitas vezes acompanhado de sede, suor leve ou sensação de ansiedade.

Esse mecanismo, conhecido como resposta contrarregulatória, é mais comum em pessoas com resistência à insulina, diabetes, alimentação rica em açúcares simples à noite ou longos períodos sem ingestão alimentar antes de dormir. A interrupção frequente do sono ocorre justamente quando o organismo deveria atingir fases profundas de descanso, o que pode resultar em cansaço persistente ao longo do dia.
A alimentação noturna tem papel central nesse processo. Refeições ricas em carboidratos refinados ou sobremesas açucaradas antes de dormir tendem a provocar elevações rápidas da glicose, seguidas por quedas acentuadas algumas horas depois. Em contrapartida, refeições com fibras, proteínas e gorduras boas favorecem uma liberação mais lenta e estável de energia ao longo da noite.
Segundo clínicos que estudam a relação entre metabolismo e sono, padrões noturnos de despertar podem servir como sinais precoces de alterações metabólicas. “Acordar repetidamente durante a madrugada é um indicativo de que o organismo está fazendo ajustes internos para manter o equilíbrio energético”, explica um médico especializado em metabolismo do sono.
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Além da sede, outros sinais associados às oscilações glicêmicas noturnas incluem palpitações, suor frio, fome repentina e dificuldade para voltar a dormir. Em casos persistentes, a recomendação é buscar avaliação médica, que pode incluir exames de glicemia em jejum, hemoglobina glicada e monitoramento contínuo da glicose.
Manter horários regulares de alimentação, evitar açúcar antes de dormir e priorizar refeições noturnas equilibradas são estratégias reconhecidas para reduzir despertares associados ao metabolismo. A observação dos padrões de sono também pode ajudar a identificar precocemente alterações na regulação glicêmica.










