Inclusão de pessoas com autismo nas escolas ainda enfrenta desafios, aponta especialista

26205.jpg

Na última quinta-feira (02) foi celebrado o Dia Mundial de Conscientização sobre o Autismo, data instituida pela ONU em 2007 para combater o preconceito e informar a sociedade sobre o Transtorno do Espectro Autista (TEA). A data busca promover o respeito, inclusão e garantia de direitos. No entanto, especialistas revelam que a presença física não garante inclusão real.

Em 2025, segundo dados do Ministério da Educação, o número de estudantes com autismo nas escolas brasileiras aumentou mais de 50% desde 2022, superando os 630 mil alunos. Destes, mais de 95% estão em turmas regulares, mas ainda é pouco.

Foto: Freepik

“A pessoa com algum tipo de necessidade específica deve ser tratada com respeito e empatia, sendo incluída nas atividades, com adaptações necessárias, mas sem que os outros sintam pena ou diminuam o potencial delas. As pessoas confundem inclusão com aceitação, mas inclusão é respeito às diferenças, é oferecer possibilidades reais de participação, de acordo com as necessidades de cada um”, explica a neuropsicóloga Bárbara Calmeto, diretora do Autonomia Instituto.

Ela reforça ainda que não se pode confundir a inclusão com aceitação social. Ainda segundo ela, incluir não significa apenas aceitar a matrícula de uma criança autista e dizer que ela está “inserida” no processo pedagógico.

“A ideia de inclusão envolve combater o capacitismo e garantir oportunidades reais de participação e desenvolvimento. A criança autista não é um anjo azul, nem um problema. Ela não precisa de cura, e sim de acolhimento e de uma escola que compreenda suas necessidades”, explica Bárbara.

Ela reforça ainda que, em muitos casos, as escolas “toleram” a presença de crianças no espectro, mas não integram de fato. Isso se reflete em exclusão social, preconceito velado e até bullying. “A escola precisa promover a convivência saudável entre todos, garantindo que o ambiente seja respeitoso e adaptado à diversidade”, acrescenta a neuropsicóloga.

Leia também: Sol Miranda é convidada para seu primeiro projeto internacional, no longa do diretor grego Syllas Tzoumerkas

Crianças que convivem com a diversidade aprendem desde cedo sobre empatia, respeito e cooperação. Para isso, é essencial que a escola promova ações de conscientização: explicar à turma, de maneira adequada à faixa etária, o que é o autismo, quais são os potenciais e desafios daquele colega, e como todos podem contribuir para o bem-estar da turma como um todo.

“Essas ações reduzem o preconceito e o bullying, que ainda são muito comuns. Informação é o maior aliado da inclusão verdadeira”, reforça.

Por outro lado, os pais exercem um papel essencial na formação de uma geração mais empática. Ao falar sobre diversidade com seus filhos, ajudam a construir pontes para uma convivência mais saudável, evitando estereótipos ou frases capacitistas

“Explique, por exemplo, que cada pessoa é única: algumas gostam de conversar, outras são mais introspectivas. Algumas crianças podem se incomodar com barulhos ou ter reações diferentes, mas todas merecem respeito”, conclui Bárbara.

Deixe uma resposta

scroll to top