84% das empresas ampliam investimentos em IA, mas afroempreendedores enfrentam barreiras de acesso

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A corrida global por inteligência artificial tem acelerado investimentos no mundo corporativo, mas o avanço tecnológico não chega de forma igual para todos. Um relatório da Deloitte aponta que 84% das empresas ampliaram seus investimentos em IA, consolidando a tecnologia como eixo estratégico de crescimento.

O estudo “The State of AI in the Enterprise” ouviu mais de 3,2 mil líderes de negócios e tecnologia em diferentes países e mostra que a confiança no uso da inteligência artificial também está em alta: 78% dos entrevistados afirmam estar mais confiantes no potencial da tecnologia.

Apesar desse cenário de expansão, especialistas alertam que empreendedores negros seguem enfrentando barreiras estruturais para acessar essas ferramentas e se inserir plenamente na economia digital.

Cynthia Paixão, CEO e fundadora da startup ‘Afrocentrados Conceito’ – Foto: Aria Santana Studio

Dados do estudo “Alone together: Entrepreneurship and Diversity in the UK”, do British Business Bank, indicam que empreendedores negros e de minorias étnicas estão entre os grupos com maiores dificuldades de acesso a capital, tecnologia e redes de apoio.

A desigualdade também aparece na forma como diferentes grupos se relacionam com a tecnologia. Entre profissionais negros, apenas 61% demonstram entusiasmo com o uso futuro da inteligência artificial, segundo a Charter Works. A diferença está ligada não apenas ao acesso, mas também à falta de capacitação e oportunidades.

Para a empreendedora Cynthia Paixão, CEO da Afrocentrados Conceito, a inteligência artificial já é uma ferramenta central para o crescimento de negócios, mas ainda não está democratizada.

“Essas tecnologias são infraestruturas estratégicas para o crescimento das marcas. Elas automatizam processos, ajudam na análise de dados e ampliam a presença digital com mais eficiência”, afirma.

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À frente de um hub que reúne marcas negras em um ecossistema de inovação, Cynthia destaca que o desafio vai além da adoção da tecnologia, passando pela inclusão de afroempreendedores nesse novo modelo econômico.

“Quando afroempreendedores dominam essas ferramentas, eles conseguem ganhar escala, melhorar posicionamento e competir em um mercado global cada vez mais orientado por plataformas digitais”, explica.

Segundo ela, o acesso à tecnologia pode ser um caminho para reduzir desigualdades históricas no mercado.

“No longo prazo, isso contribui para ampliar a participação de negócios negros na economia e reduzir desigualdades estruturais no acesso a oportunidades”, afirma.

O avanço da inteligência artificial no mundo corporativo tem criado novas possibilidades de monetização e inovação, mas também evidencia um desafio central: garantir que essa transformação não aprofunde desigualdades já existentes.

Enquanto empresas aceleram investimentos e expandem suas operações digitais, a inclusão de empreendedores negros nesse processo ainda depende de políticas, formação e acesso real às ferramentas que estão redefinindo o mercado.

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