Brasil tem 2º maior juro real do mundo e isso encarece crédito e freia consumo

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Brasil continua em 2º no ranking de maiores juros reais do mundo após decisão do Copom - Foto: Pexels

O Brasil segue com o segundo maior juro real do mundo mesmo após o Banco Central reduzir a taxa Selic para 14,75% ao ano nesta quarta-feira (18). O cenário, além de manter o país no topo do ranking global, tem impacto direto no dia a dia da população, encarecendo o crédito, reduzindo o consumo e dificultando o acesso a financiamentos.

De acordo com levantamento internacional, o Brasil registra juro real de 9,51%, atrás apenas da Turquia, com 10,38%. Na sequência aparecem Rússia e Argentina, ambas com cerca de 9,41%. O juro real considera a taxa de juros descontada da inflação, ou seja, indica o custo efetivo do dinheiro na economia.

Mesmo com a redução de 0,25 ponto percentual na Selic, o país permanece em posição elevada no ranking. Isso ocorre porque a inflação projetada segue relativamente controlada, em torno de 3,7%, mantendo alta a diferença entre juros e inflação.

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Brasil continua em 2º no ranking de maiores juros reais do mundo após decisão do Copom – Foto: Pexels

Na prática, esse cenário significa que o dinheiro continua caro para quem precisa tomar crédito. Empréstimos pessoais, financiamentos de imóveis e veículos, além do uso do cartão de crédito, seguem com taxas elevadas, já que os bancos repassam esse custo ao consumidor.

Com isso, muitas famílias acabam adiando compras importantes, especialmente de bens duráveis, como eletrodomésticos e carros. Juros altos funcionam como um freio na economia: reduzem o consumo para conter a inflação, mas também desaceleram o crescimento econômico e podem impactar a geração de empregos.

O impacto também atinge pequenos empreendedores. Com o crédito mais caro, abrir um negócio ou investir na expansão de uma empresa se torna mais difícil, já que o retorno precisa ser alto o suficiente para compensar o custo dos juros.

Por outro lado, o cenário favorece quem consegue poupar. Com juros reais elevados, investimentos em renda fixa, como Tesouro Direto e CDBs, oferecem ganhos acima da inflação, garantindo aumento real do poder de compra para quem tem dinheiro aplicado.

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Apesar desse benefício, especialistas apontam que o efeito não é igual para toda a população. Enquanto investidores conseguem ganhos mais altos, grande parte dos brasileiros enfrenta dificuldades com o custo do crédito e a redução da capacidade de consumo.

Segundo análise do MoneYou, o Brasil ainda convive com incertezas econômicas, influenciadas por fatores como o cenário fiscal e tensões internacionais, como a guerra no Oriente Médio. Esses elementos contribuem para manter os juros em patamares elevados.

Nos juros nominais, sem descontar a inflação, o Brasil aparece na quarta posição global, atrás de Turquia, Argentina e Rússia. Ainda assim, é o juro real que melhor traduz o impacto na economia e na vida das pessoas.

Mesmo com o início de um ciclo de queda na Selic, o Brasil segue em um cenário de juros elevados. Na prática, isso significa que o custo de viver, financiar, consumir e investir, continua alto para a maior parte da população.

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