Sete anos após desastre, mulheres negras de Brumadinho ainda enfrentam insegurança alimentar

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Sete anos após o rompimento da barragem da Vale em Brumadinho, comunidades rurais ao longo do rio Paraopeba ainda convivem com insegurança alimentar e perda de autonomia. Entre os atingidos, mulheres negras concentram a maior parte das responsabilidades familiares e enfrentam impactos mais duradouros do desastre ocorrido em janeiro de 2019, que deixou 272 mortos e contaminou o território com rejeitos de mineração.

Dados da Associação Estadual de Defesa Ambiental e Social mostram que mulheres lideram 73% dos núcleos familiares atingidos, e 64% delas se declaram negras. Além de responderem pela organização doméstica, elas também participam majoritariamente dos espaços de discussão sobre reparação. Em comissões comunitárias, a presença feminina supera 70%, segundo dados apurados e divulgados em primeira mão pela Gênero e Número.

Sete anos após o rompimento da barragem da Vale em Brumadinho, comunidades rurais ao longo do rio Paraopeba ainda convivem com insegurança alimentar – Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil.

A dificuldade de acesso à comida se intensificou com a dependência de supermercados distantes e renda limitada. Em áreas rurais, o custo do transporte e os preços mais altos em comércios locais reduzem ainda mais as opções alimentares. Em períodos de chuva, comunidades ficam isoladas por dias, impossibilitando a compra de mantimentos.

Estudos conduzidos pela Universidade Federal de Minas Gerais identificaram que 35% das famílias atingidas vivem em insegurança alimentar. Apenas 15% consomem a quantidade recomendada de frutas e hortaliças, enquanto aumentou o consumo de alimentos ultraprocessados. A pesquisa também apontou redução de renda em um terço dos domicílios e aumento das despesas com alimentação em 92% deles.

O cenário é agravado por entraves no acesso ao Programa de Transferência de Renda, criado no acordo de reparação. Famílias sem contas formais em seu nome tiveram pedidos negados. Com o encerramento previsto do programa, entidades e o município de Brumadinho acionaram a Justiça para manter um auxílio mensal. O Ministério Público de Minas Gerais defendeu a continuidade do benefício, enquanto a Vale sustenta que já cumpriu integralmente suas obrigações. O Tribunal de Justiça de Minas Gerais deve decidir o tema em julgamento marcado para 5 de março.

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Thayan Mina

Thayan Mina

Jornalista pela Faculdade de Comunicação (FCS) da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj). Atualmente mestrando pelo PPGCOM da Escola de Comunicação (ECO) da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). É músico e sambista.

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