O Terreiro Africano Nosso Senhor do Bonfim, localizado no bairro da Mangueira, no Recife, abriu inscrições para o projeto Vivência de Saberes Ancestrais, que promoverá 20 encontros gratuitos fundamentados na tradição dos Orixás Nagô Ẹ̀gbá de Pernambuco. As inscrições seguem até 2 de março e as atividades acontecerão sempre a partir das 18h, na Travessa Horizontina, nº 22.
As vivências são destinadas a integrantes de Comunidades Tradicionais de Matriz Africana, Afro-brasileira e Afro-indígena, incluindo Ìyálórìṣà, Bàbálórìṣà, Èkéjì, Ọ̀gá, Ìyàwó, Abíyàn, sacerdotisas, sacerdotes, juremeiras e juremeiros. De acordo com a organização, a proposta é fortalecer a transmissão de conhecimentos por meio da oralidade e da experiência coletiva, princípios estruturantes das religiões de matriz africana.
Durante os encontros, os participantes serão imersos nos itans, histórias míticas que organizam a cosmovisão iorubá, além de aprenderem sobre cânticos em yorubá, uso de ervas sagradas, comidas de orixás, musicalidade e ritualística. A participação integral é obrigatória, já que o projeto prioriza a profundidade da formação e a construção de vínculos duradouros entre os inscritos. São oferecidas 15 vagas.

O projeto conta com incentivo da Política Nacional Aldir Blanc no Recife, por meio do Edital Cultura Viva de Fomento a Projetos Continuados de Pontos de Cultura. Também recebe apoio da Associação Amigos de Nossa Senhora da Conceição, do Coletivo Anarriê e da Diáspora Brasil.
Fundado em 19 de março de 1950 pela Yalorixá Joana de França Medeiros, conhecida como Mãe Joaninha de Oxaguian, o Terreiro Africano Nosso Senhor do Bonfim é reconhecido como uma das referências da tradição Nagô em Pernambuco. Ao longo de 75 anos, a casa manteve fundamentos do Candomblé e da Jurema Sagrada, com conexões históricas com o Sítio de Pai Adão, marco da religiosidade afro-pernambucana.
Atualmente, o terreiro é conduzido pela Yalorixá Cris de Oyá e pelo Babalorixá Lange de Oxalá, responsáveis pela organização das vivências. Segundo a coordenação, o espaço também garante acessibilidade estrutural e poderá contar com intérprete de Libras, caso haja necessidade, assegurando a participação de pessoas com deficiência.
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O cronograma das atividades se estende de março a novembro, contemplando encontros dedicados a Exú, Ògún, Oxóssi, Obaluaê, Nanã, Oxum, Iemanjá, Xangô, Oyá e Oxalá, sempre das 18h às 23h, reforçando o compromisso com a preservação e continuidade dos saberes ancestrais em Pernambuco.
Inscrições
As inscrições são gratuitas já estão abertas e podem ser realizadas por meio do formulário online no link https://docs.google.com/forms/d/e/1FAIpQLScI4J1Nec6uM3D7yH0-Wn6eG1-iLmuVBz8IJfQpSP1GoNdUxA/viewform?usp=header










