Adolescentes que consomem bebidas açucaradas regularmente apresentam 34% mais risco de desenvolver transtornos de ansiedade, segundo revisão sistemática com meta-análise publicada no Journal of Human Nutrition and Dietetics. O estudo reuniu pesquisas realizadas entre 2000 e 2025 com jovens de 10 a 19 anos.
A análise incluiu nove estudos observacionais. Sete identificaram associação estatisticamente significativa entre alto consumo dessas bebidas e sintomas de ansiedade. Dois não encontraram associação relevante. Por se tratarem de estudos observacionais, os resultados indicam associação, mas não permitem afirmar relação de causa e efeito.
Foram consideradas bebidas açucaradas refrigerantes, energéticos, sucos adoçados, chás e cafés com açúcar, bebidas esportivas, leite aromatizado e bebidas à base de iogurte. Adolescentes com maior consumo apresentaram 34% mais chance de transtornos de ansiedade em comparação aos que consumiam menos.

Dois estudos longitudinais que acompanharam adolescentes por um ano também identificaram associação pequena, porém estatisticamente significativa, entre consumo inicial elevado e aumento posterior de sintomas de ansiedade. Um desses estudos observou que maior adesão às recomendações nacionais de redução dessas bebidas esteve associada a níveis mais baixos de ansiedade.
A professora Chloe Casey, coautora da pesquisa, afirma que iniciativas de saúde pública costumam enfatizar as consequências físicas de hábitos alimentares inadequados, como obesidade e diabetes tipo 2. Segundo ela, as implicações da dieta para a saúde mental ainda são menos exploradas, especialmente no caso de bebidas com alta densidade energética e baixo teor nutricional.
Os pesquisadores apontam limitações importantes. Todos os dados de consumo foram autorrelatados e nenhum estudo utilizou biomarcadores para confirmar a ingestão de açúcar. As definições de bebidas açucaradas variaram entre os estudos e os instrumentos utilizados para avaliar ansiedade não foram padronizados. Além disso, a associação observada pode refletir relação bidirecional, na qual adolescentes com sintomas de ansiedade também tendem a consumir mais açúcar, ou pode estar ligada a fatores comuns, como rotina familiar e distúrbios do sono.
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Os transtornos de ansiedade têm aumentado entre adolescentes nos últimos anos. Em 2023, estimou-se que uma em cada cinco crianças e jovens apresentava algum transtorno mental, sendo a ansiedade uma das condições mais relatadas.
O estudo foi liderado pelo pesquisador Karim Khaled, atualmente vinculado à Universidade Americana Libanesa. Os autores defendem que políticas públicas voltadas à redução do consumo dessas bebidas podem contribuir para enfrentar o avanço dos transtornos de ansiedade, mas ressaltam que são necessários estudos longitudinais mais robustos e ensaios clínicos para confirmar se a redução do consumo leva à melhora dos sintomas.









