Partido de Bolsonaro vai ao STF questionar taxação dos super-ricos

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Fachada do Supremo Tribunal Federal (STF) com estátua A Justiça, de Alfredo Ceschiatti, em primeiro plano.

O Partido Liberal, legenda do ex-presidente Jair Bolsonaro, levou ao Supremo Tribunal Federal um pedido para suspender trechos da lei que elevou a tributação de contribuintes de super-ricos como forma de compensar a ampliação da isenção do Imposto de Renda para trabalhadores que recebem até R$ 5 mil por mês.

A sigla protocolou uma Ação Direta de Inconstitucionalidade contra dispositivos da Lei 15.270/2025, que alterou as regras do IR. A nova legislação passou a cobrar imposto mensal sobre lucros e dividendos acima de R$ 50 mil e instituiu tributação mínima anual para rendimentos a partir de R$ 600 mil.

Modelos semelhantes de cobrança sobre rendas de super-ricos já são adotados em economias desenvolvidas. Nos Estados Unidos, o imposto federal de renda segue uma tabela progressiva, com alíquotas maiores aplicadas a contribuintes que recebem mais, além de tributação específica sobre lucros, dividendos e ganhos de capital.

Em países da União Europeia, a lógica também é de progressividade. Na Alemanha e na França, por exemplo, faixas superiores de renda pagam percentuais mais elevados de imposto, enquanto trabalhadores de menor rendimento contam com isenções ou descontos, estrutura usada para equilibrar a arrecadação e reduzir a carga tributária sobre a base da população.

Modelos semelhantes de cobrança sobre rendas de super-ricos já são adotados em economias desenvolvidas como nos EUA e na Europa – Foto: Marcello Casal Jr / Agência Brasil.

O partido sustenta que as mudanças foram implementadas em prazo curto e sem respeitar garantias constitucionais, como segurança jurídica, capacidade contributiva e previsibilidade tributária. Também afirma que a cobrança começou sem observar o intervalo mínimo de 90 dias entre a sanção da norma e o início dos efeitos.

A lei foi sancionada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva em novembro de 2025 e entrou em vigor em janeiro.

O processo foi distribuído ao ministro Kassio Nunes Marques, que já analisa ações semelhantes. Uma delas foi apresentada pela Confederação Nacional de Serviços, que questiona o modelo de cobrança antecipada por considerar que ele pode distorcer a progressividade do imposto e gerar pagamentos indevidos ao longo do ano. A entidade também pede a exclusão das empresas do Simples Nacional dessas regras.

Pelas novas faixas, salários de até R$ 5 mil ficaram isentos, rendas até R$ 7.350 têm desconto parcial, e valores superiores seguem a tabela progressiva atual. Para compensar a redução de arrecadação, o governo estabeleceu alíquotas adicionais para rendas mais altas, que podem chegar a 10%, incluindo cobrança mínima para quem recebe acima de R$ 1,2 milhão por ano.

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Thayan Mina

Thayan Mina

Jornalista pela Faculdade de Comunicação (FCS) da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj). Atualmente mestrando pelo PPGCOM da Escola de Comunicação (ECO) da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). É músico e sambista.

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