“Não desejo pra ninguém essa dor”, diz mãe um mês após desaparecimento de crianças no Maranhão

Crianças quilombolas desaparecidas

Crianças quilombolas desaparecidas: polícia investiga pista - Foto: Divulgação

Um mês após o desaparecimento dos irmãos Ágatha Isabelly, de 6 anos, e Allan Michael, de 4, no interior do Maranhão, a família segue sem informações concretas sobre o paradeiro das crianças. O caso mobiliza forças de segurança estaduais e federais desde o dia 2 de janeiro, quando os irmãos desapareceram na zona rural de Bacabal, na comunidade quilombola São Sebastião dos Pretos.

Em entrevista, a mãe das crianças, Clarice Cardoso, relatou o impacto emocional provocado pela ausência dos filhos. “Eu não desejo pra ninguém essa dor, uma dor insuportável. Cada dia só piora, a gente não tem notícia”, afirmou. A avó das crianças também descreveu o sofrimento da família diante da falta de respostas. “Tá sendo um pesadelo, uma angústia que não acaba”, disse.

Segundo a Polícia Civil do Maranhão, as investigações seguem sob responsabilidade de uma comissão especial, formada por dois delegados de São Luís e uma delegada de Bacabal. O inquérito já ultrapassa 200 páginas e reúne dezenas de depoimentos, além de reconstruções técnicas e análises de campo.

Crianças quilombolas desaparecidas
Crianças quilombolas desaparecidas – Foto: Divulgação

De acordo com o delegado-geral adjunto operacional da Polícia Civil, Ederson Martins, mais de 30 dias de apuração resultaram em uma investigação considerada robusta, mas ainda sem conclusão. “Foram ouvidas dezenas de pessoas, feitas reconstruções e análises técnicas. A conclusão só será possível após esgotarmos todas as possibilidades”, afirmou.

As buscas mobilizaram um grande aparato operacional. Nos primeiros 20 dias, equipes percorreram mais de 200 quilômetros por terra e por água, incluindo áreas de mata fechada e pontos alagados. A Marinha realizou varreduras em 19 quilômetros do rio Mearim, utilizando tecnologia de side scan sonar, capaz de identificar objetos submersos em águas turvas.

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Um dos principais elementos da investigação é o relato do primo das crianças, Anderson Kauã, que estava com os irmãos no dia do desaparecimento. O menino descreveu uma cabana abandonada, conhecida como “casa caída”, localizada a cerca de 3,5 quilômetros da comunidade. Cães farejadores confirmaram a presença das três crianças no local.

Segundo o relato, após se abrigarem próximo à estrutura, o grupo acabou se separando. Anderson seguiu em uma direção, enquanto Ágatha e Allan tomaram outro caminho. Desde então, não houve novos vestígios confirmados.

Atualmente, a investigação policial é o foco principal da força-tarefa. A Secretaria de Segurança Pública do Maranhão informou que as equipes seguem em prontidão para retomar buscas específicas caso surjam novos indícios.

Mais de mil pessoas, entre agentes das forças de segurança e voluntários, participaram das operações até o momento. A base da força-tarefa permanece instalada no quilombo São Sebastião dos Pretos, onde as crianças foram vistas pela última vez.

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