Mato Grosso lidera resgates por trabalho escravo em 2025

O resgate de 607 trabalhadores em condições análogas à escravidão em Mato Grosso, principalmente na construção de uma usina de etanol no município de Porto Alegre do Norte, fez com que o estado liderasse o ranking nacional de trabalho escravo em 2025, segundo dados oficiais divulgados nesta semana.

O balanço do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) aponta que, ao longo de 2025, foram resgatados 2.772 trabalhadores em todo o país, em 1.594 ações fiscais de combate a práticas de exploração extrema, um dos maiores números registrados na última década.

De acordo com as autoridades, os trabalhadores viviam sem acesso adequado a água potável, alimentação suficiente e alojamentos em condições mínimas de dignidade. Além disso, foram identificadas irregularidades como ausência de registro em carteira, falta de equipamentos de proteção individual e restrição de direitos trabalhistas previstos em lei.

A ação faz parte de uma série de fiscalizações intensificadas ao longo do ano, que têm revelado um cenário preocupante no campo brasileiro. Somente em 2025, Mato Grosso lidera o número de trabalhadores resgatados, superando outros estados historicamente associados a esse tipo de crime. Especialistas apontam que a expansão do agronegócio sem fiscalização adequada, aliada à precarização das relações de trabalho, contribui para a permanência dessas práticas.

Após o resgate, os trabalhadores passaram a receber assistência imediata, incluindo pagamento de verbas rescisórias, encaminhamento para acesso ao seguro-desemprego especial e apoio de políticas públicas de proteção social. Os responsáveis pela propriedade podem responder a processos administrativos e judiciais, além de serem incluídos no cadastro de empregadores que utilizaram trabalho análogo à escravidão, conhecido como “lista suja”.

O Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), por meio da Secretaria de Inspeção do Trabalho (SIT), divulgou nesta terça-feira (28), Dia Nacional de Combate ao Trabalho Escravo, o balanço das ações realizadas ao longo de 2025. / Foto: Freepik

Além do caso em Mato Grosso, outras operações mostram a persistência desse tipo de exploração em diferentes estados e setores da economia brasileira:

  • Paraíba: levantamento do Ministério Público do Trabalho na Paraíba identificou um aumento expressivo nos resgates em 2025, com 258 trabalhadores libertados em várias operações, um salto de 386% em relação a 2024.
  • Paraná: em outubro de 2025, fiscalização resgatou 57 trabalhadores, a maioria indígenas recrutados para o corte de cana-de-açúcar, submetidos a condições degradantes.
  • Rio Grande do Sul: uma operação conjunta de órgãos públicos resgatou 11 trabalhadores em Sapucaia do Sul de situação análoga à escravidão em um galpão de reciclagem.
  • Pará: no município de São Félix do Xingu, pequenas operações também retiraram trabalhadores de fazendas onde eram negados direitos básicos, incluindo três homens em junho e 17 em agosto de 2025.

Os casos abrangem setores diversos, como agricultura, pecuária, construção civil, corte de cana, serviços domésticos e reciclagem, evidenciando que não se trata de um problema isolado, mas de um fenômeno que persiste em várias regiões e atividades econômicas do país. Organizações que monitoram a questão destacam que, historicamente, milhões de trabalhadores já foram encontrados em situações de exploração moderna desde a criação das equipes móveis de fiscalização nos anos 1990.

Especialistas apontam que, apesar da legislação brasileira prever a proibição absoluta do trabalho em condições análogas à escravidão, a combinação de atividades de alta informalidade, fraca fiscalização em áreas remotas e cadeias produtivas extensas favorece a repetição desses abusos. Movimentos sociais e entidades de direitos humanos reforçam a necessidade de fortalecer políticas públicas, ampliar a atuação das equipes de fiscalização e oferecer mais proteção às vítimas.

Denúncias podem ser realizadas de forma anônima por meio do Sistema Ipê, pelo telefone 158 ou pelo Disque 100.

Leia também: Homens negros são 83% das vítimas do trabalho escravo no Brasil

Jaice Balduino

Jaice Balduino

Jaice Balduino é jornalista e especialista em Comunicação Digital, com experiência em redação SEO, assessoria de imprensa e estratégias de conteúdo para setores como tecnologia, educação, beleza, impacto social e diversidade. Mineira e uma das mentoradas selecionada por Rachel Maia em 2021. Acredita no poder da colaboração e da inovação para transformar narrativas e impulsionar negócios com excelência

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