Ouro bate recorde e faz crise global pesar no bolso das famílias

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Ouro acima de US$ 5.200 sinaliza instabilidade global e afeta dólar, juros e preços que chegam à mesa das famílias brasileiras - Foto: Pexels

O preço do ouro ultrapassou US$ 5.200 por onça no mercado internacional, após declarações do presidente Donald Trump favoráveis à desvalorização do dólar. O metal acumula alta superior a 20 por cento no ano e atingiu nível histórico em meio à incerteza geopolítica e à crise de confiança na moeda americana. Embora pareça distante da rotina das famílias brasileiras, a valorização do ouro provoca efeitos em cadeia que chegam diretamente ao custo de vida.

Quando investidores correm para o ouro em busca de proteção, o dólar oscila e os mercados financeiros se tornam mais instáveis. No Brasil, qualquer variação cambial tem impacto imediato sobre preços. Combustíveis, gás de cozinha, medicamentos, fertilizantes e produtos eletrônicos são cotados em dólar. Se a moeda sobe ou perde previsibilidade, empresas elevam preços para cobrir custos. O resultado aparece na bomba de combustível, na conta do supermercado e nas tarifas de serviços.

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Ouro acima de US$ 5.200 sinaliza instabilidade global e afeta dólar, juros e preços que chegam à mesa das famílias brasileiras – Foto: Pexels

A instabilidade global também influencia as decisões do Banco Central. Em cenários de incerteza, a tendência é manter juros elevados para conter inflação e proteger a moeda nacional. Juros altos significam prestações mais caras, crédito restrito e maior dificuldade para financiar casa própria, comprar eletrodomésticos ou manter pequenos negócios. Para as classes C, D e E, isso representa menos acesso ao consumo básico e ao empreendedorismo.

Outro efeito ocorre no emprego e na renda. Quando grandes investidores concentram recursos em ativos de proteção como o ouro, menos capital circula em investimentos produtivos. Isso reduz abertura de fábricas, obras de infraestrutura e expansão de empresas, setores que geram vagas de trabalho. Em médio prazo, o reflexo pode ser menor oferta de empregos e pressão sobre salários.

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O Brasil também sente impactos pela expansão da mineração de ouro. Estados como Rio Grande do Norte registraram aumento de 138 por cento nas exportações em 2025. Ao mesmo tempo, preços recordes tornam o garimpo ilegal mais lucrativo, ampliando conflitos territoriais, danos ambientais e sobrecarga dos serviços públicos em regiões vulneráveis.

A alta do ouro, portanto, não é apenas um dado do mercado internacional. Ela sinaliza instabilidade que se traduz em inflação, juros altos, crédito caro e menor geração de empregos. Mesmo sem nunca comprar uma grama do metal, milhões de famílias brasileiras acabam pagando a conta dessa turbulência global.

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