A noção de que o desejo sexual masculino atinge seu ponto máximo na juventude está sendo revista por novas evidências científicas. Um estudo internacional publicado na revista Scientific Reports analisou dados de mais de 67 mil adultos e concluiu que, em média, o auge da libido entre homens ocorre por volta dos 40 anos.
Os pesquisadores avaliaram variáveis como idade, identidade de gênero, orientação sexual, estado civil e hábitos de vida. Os resultados indicam que o desejo sexual masculino tende a aumentar gradualmente ao longo da vida adulta, alcança seu ponto mais elevado na meia-idade e, posteriormente, apresenta redução progressiva. Segundo o estudo, essa trajetória não está ligada apenas a fatores hormonais, mas também a aspectos emocionais, sociais e relacionais.

Outro dado que chamou atenção foi o nível de libido relatado por pessoas bissexuais, que, em média, apresentaram índices mais altos de desejo sexual em comparação a participantes heterossexuais e homossexuais. Os autores associam esse resultado a uma vivência mais fluida da sexualidade, marcada por menor rigidez em normas de comportamento e maior abertura para o diálogo sobre prazer e identidade.
O estudo reforça que o desejo não segue um padrão universal. Elementos como qualidade das relações afetivas, autoestima, saúde mental, estresse e contexto social exercem influência direta sobre a libido. Em sociedades atravessadas por desigualdades de gênero, raça e classe, o acesso à informação segura sobre sexualidade e o direito ao prazer ainda não são garantidos de forma equitativa, o que impacta a vivência sexual ao longo da vida.
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Os cientistas ressaltam que os dados representam médias populacionais e não devem ser utilizados para estabelecer expectativas individuais. Cada trajetória de desejo é singular e atravessada por fatores culturais, afetivos e históricos.
Especialistas apontam que os resultados contribuem para desconstruir estigmas associados ao envelhecimento masculino e à sexualidade na maturidade. A pesquisa também amplia o debate sobre diversidade sexual, ao evidenciar diferentes experiências de desejo entre orientações sexuais frequentemente invisibilizadas no debate público.
Ao reconhecer a libido como um fenômeno multifatorial, o estudo reforça a importância de abordagens em saúde sexual que considerem não apenas aspectos biológicos, mas também direitos, bem-estar emocional e respeito à diversidade das experiências humanas.









