Justiça Federal condena vereador e mais 11 por tortura contra indígenas após 20 anos

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Mais de duas décadas após uma série de agressões contra indígenas Guarani-Kaiowá em Sete Quedas, no sul de Mato Grosso do Sul, a Justiça Federal condenou 12 pessoas por tortura qualificada. Segundo apuração do Ministério Público Federal, o grupo atuou de forma coordenada, como um “tribunal de exceção”, impondo punições ilegais e violência às vítimas. Entre os condenados está o atual presidente da Câmara Municipal da cidade, Valdomiro Luiz de Carvalho, o Miro do Carioca (PP), que já era vereador na época dos fatos.

A sentença foi assinada pelo juiz federal Lucas Miyazaki dos Santos, da 1ª Vara Federal de Naviraí. As penas variam de 18 anos a 26 anos e 8 meses de prisão, todas em regime inicial fechado. O magistrado classificou o crime como inafiançável e imprescritível, por estar ligado à tortura com motivação racial.

Mais de duas décadas após uma série de agressões contra indígenas Guarani-Kaiowá em Sete Quedas, no sul de Mato Grosso do Sul – Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil.

De acordo com o processo, na noite de 25 de junho de 2005, os réus interceptaram um caminhão do Conselho Indigenista Missionário que transportava três indígenas. As vítimas foram retiradas do veículo sob ameaça, amarradas e mantidas sob vigilância armada. Durante horas, sofreram agressões físicas, ameaças de morte e humilhações. O caminhão foi incendiado, e, conforme os autos, os acusados chegaram a ameaçar jogar os reféns nas chamas.

Na decisão, o juiz descreveu a ação como um verdadeiro “tribunal de exceção”, em que os envolvidos assumiram o papel de juízes e executores. Testemunhas relataram ofensas racistas, como “bugres” e “raça ruim”, apontadas como prova de que o preconceito foi o centro da violência.

Valdomiro recebeu a maior pena. Segundo a sentença, ele liderou o grupo, participou das agressões e utilizou o sistema de som de uma festa junina para convocar moradores contra os indígenas. Além da prisão, perdeu o cargo público e ficou proibido de exercer funções públicas por mais de 53 anos.

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Thayan Mina

Thayan Mina

Jornalista pela Faculdade de Comunicação (FCS) da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj). Atualmente mestrando pelo PPGCOM da Escola de Comunicação (ECO) da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). É músico e sambista.

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