Grupo de jovens negros armados e organizados politicamente reivindica o nome do Partido dos Panteras Negras e ocupa ruas dos EUA. As manifestações ocorrem após a morte da cidadã norte-americana Renee Good, assassinada por um agente da agência federal em Minneapolis, no estado de Minnesota. O caso reacendeu tensões em várias cidades e levou o governo a anunciar o envio de tropas para a região, além de ameaçar a aplicação da chamada Lei da Insurreição, que autoriza o uso das Forças Armadas dentro do território norte-americano.
Registros divulgados nas redes sociais mostram integrantes do movimento vestidos com jaquetas bomber pretas, boinas e o símbolo da pantera negra estampado em preto e branco. Os manifestantes também aparecem portando armas de estilo militar, cuja posse é legalizada pela legislação local.
Em entrevista ao jornal independente The Canary, Danielle, integrante do Núcleo Popular dos Panteras Negras, grupo que atua dentro da estrutura mais ampla do movimento, afirmou que não vê possibilidade de mudanças por meio de reformas institucionais. “A revolução é o único caminho a seguir agora. Não se pode reformar os sistemas vigentes. Eles são desumanos e opressivos, e as pessoas já não aguentam mais. A única maneira de avançarmos e prosperarmos como raça humana é desmantelar todos os sistemas, estruturas e governos que existem hoje”, declarou.
Nos últimos 30 dias, vídeos que circulam online mostram agentes do ICE envolvidos em ações violentas, incluindo agressões físicas, perseguições e detenções direcionadas principalmente a migrantes e pessoas racializadas. Entre os dias 3 e 9 de janeiro, ao menos quatro migrantes morreram enquanto estavam sob custódia da agência federal, sendo dois hondurenhos, um cubano e um cambojano.

Na Filadélfia, o Partido dos Panteras Negras para Autodefesa marcou presença em uma manifestação em solidariedade às vítimas da repressão migratória. Paul Birdsong, que se autodenominou como presidente da filial local, afirmou que o desfecho do caso de Renee Good poderia ter sido diferente caso o grupo estivesse presente no dia do assassinato, ocorrido em 7 de janeiro.
As tensões são cada vez maiores nos EUA, o grupo que reivindica o nome do histórico Partido dos Panteras Negras guarda diferenças do partido original, alguns de seus integrantes acha que deve se ater somente a questão negra, diferente do original que tinha solidariedade internacional e pedia poder a todos os povos oprimidos.
Em entrevista à Philly AM TV, Birdsong foi direto ao comentar a atuação do ICE. “Nenhum agente do ICE jamais vai me abordar. Eu garanto”, disse. Em seguida, completou: “Uma mulher desarmada foi morta pelo ICE. Se vocês acham que podem vir e brutalizar as pessoas enquanto estamos aqui, vão se meter na própria vida.”
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