Premiado internacionalmente, Agente Secreto não recebeu incentivos da Lei Rouanet

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Enquanto isso, artistas de direita lideraram captação de recursos do mecanismo em 2024

O filme Agente Secreto, estrelado por Wagner Moura e recentemente premiado em festivais internacionais, voltou ao centro do debate político após ataques de setores da direita nas redes sociais. As críticas tentaram associar a produção ao uso da Lei Rouanet, reforçando a narrativa de que o mecanismo serviria para financiar obras alinhadas à esquerda. A informação, porém, não procede.

Além de não haver registro de financiamento do filme pela Lei Rouanet, a própria natureza do projeto impede esse enquadramento. Agente Secreto é um longa-metragem cinematográfico, com duração superior a 70 minutos e circulação internacional. Produções desse tipo, no Brasil, são financiadas por outros instrumentos de política pública, especialmente a Lei do Audiovisual, e não pela Rouanet, que é voltada majoritariamente a projetos culturais como espetáculos, turnês, exposições, livros e ações de formação cultural.

A confusão em torno do filme ocorre em um contexto no qual dados oficiais desmontam o discurso de que a Lei Rouanet seria um privilégio de artistas progressistas. Em 2024, os maiores volumes de recursos captados por meio do mecanismo ficaram concentrados entre artistas associados à direita, sobretudo do sertanejo. A informação foi apresentada pelo senador Randolfe Rodrigues no Senado.

Além de não haver registro de financiamento do filme pela Lei Rouanet, a própria natureza do projeto impede esse enquadramento – Foto: Valter Campanato/Agência Brasil.

Segundo a lista divulgada, o ranking é liderado por Gusttavo Lima, com R$ 52 milhões, seguido por Bruno e Marrone (R$ 45 milhões) e Leonardo (R$ 42 milhões). Também aparecem Chitãozinho e Xororó, César Menotti e Fabiano, Zezé Di Camargo e Luciano, Eduardo Costa, Amado Batista, Henrique e Juliano e Fernando e Sorocaba.

Também é importante esclarecer como funciona a Lei Rouanet. O dinheiro não é entregue diretamente ao artista. O projeto é aprovado pelo Ministério da Cultura e, a partir disso, empresas ou pessoas físicas podem destinar parte do imposto de renda devido para financiá-lo, como forma de incentivo fiscal. Trata-se, portanto, de renúncia tributária, não de repasse direto do Tesouro.

Os dados mostram que a Lei Rouanet é um instrumento público aberto a todos, independentemente de alinhamento político, e que seu uso em 2024 beneficiou amplamente artistas identificados com a direita, um fato frequentemente omitido nos ataques recentes ao cinema e à cultura brasileira.

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Thayan Mina

Thayan Mina

Jornalista pela Faculdade de Comunicação (FCS) da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj). Atualmente mestrando pelo PPGCOM da Escola de Comunicação (ECO) da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). É músico e sambista.

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