Treinar sob altas temperaturas pode reduzir o desempenho físico em até 25%, mesmo entre pessoas disciplinadas e fisicamente condicionadas. O dado é da Sociedade Brasileira de Medicina do Exercício e do Esporte e reflete uma resposta natural do organismo ao esforço adicional necessário para manter a temperatura corporal estável durante atividades em ambientes quentes.
Durante o exercício, os músculos produzem calor como parte do gasto energético. Em condições climáticas amenas, o corpo consegue dissipar esse calor com eficiência. No entanto, em dias de calor intenso, muitas vezes acompanhado de alta umidade, a troca térmica com o ambiente se torna mais difícil. Para evitar o superaquecimento, o organismo precisa desviar parte do fluxo sanguíneo para a pele, favorecendo a produção de suor e o resfriamento corporal.

Esse processo cria uma sobrecarga fisiológica. Segundo o especialista Zair Cândido, há uma disputa interna por recursos do corpo. “O organismo passa a trabalhar mais para dar conta do exercício e do calor ao mesmo tempo, visando manter o equilíbrio térmico e preservar as funções metabólicas”, explica. Com isso, o sangue precisa atender simultaneamente os músculos em atividade e a pele, reduzindo a energia disponível para a contração muscular. Como mecanismo de proteção, o cérebro antecipa a sensação de fadiga e diminui o rendimento físico.
A exposição prolongada ao calor durante o exercício também provoca perda significativa de líquidos e sais minerais. Em treinos intensos, a eliminação de suor pode ultrapassar um litro por hora. Junto com a água, o corpo perde eletrólitos como sódio e potássio, fundamentais para o funcionamento muscular, cardiovascular e neurológico. “Sem água e eletrólitos suficientes, a eficiência metabólica para a produção de energia fica comprometida”, alerta Cândido.
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A desidratação ainda torna o sangue mais concentrado, exigindo maior esforço do coração para manter a circulação. Isso eleva a frequência cardíaca mesmo em atividades leves e pode sobrecarregar órgãos como os rins. Em situações mais graves, sintomas como náusea, dor de cabeça, confusão mental, visão turva e pele fria ou pegajosa podem indicar falha no sistema de termorregulação, com risco de exaustão térmica ou insolação.
Especialistas recomendam hidratação antes, durante e após o exercício, escolha de horários mais frescos, redução da intensidade do treino em dias muito quentes e uso de roupas leves e respiráveis. Adaptar a rotina de treinos, diante de ondas de calor cada vez mais frequentes, tornou-se uma medida essencial de proteção à saúde.










