Mulheres negras têm a menor renda do país, aponta relatório da Fazenda

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A renda anual do país ficou próxima de R$40 mil, enquanto a de mulheres negras em torno de R$20 mil

Um relatório do Ministério da Fazenda revela que mulheres negras ocupam a pior posição na distribuição de renda no Brasil, com rendimento médio anual em torno de R$ 20 mil, valor que representa cerca da metade da média nacional. Os dados fazem parte do Relatório da Distribuição Pessoal da Renda e da Riqueza da População Brasileira, divulgado no dia 1º deste mês.

A média de renda anual no país ficou próxima de R$ 40 mil. Enquanto isso, homens negros também aparecem abaixo desse patamar, mulheres brancas se aproximam da média, e homens brancos concentram os maiores rendimentos, ultrapassando R$ 60 mil por ano.

Mulheres negras tem renda menor que a média brasileira aponta pesquisa Foto: Freepik

A desigualdade se aprofunda quando se observa a participação na renda total. Entre os 10% mais pobres da população, as mulheres negras respondem por 39,8% da renda desse grupo. Já entre os 10% mais ricos, essa participação despenca para 9,4%. No topo da pirâmide, os homens brancos concentram 42,2% da renda, enquanto na base mais pobre representam apenas 10,3%.

Esse cenário racializado da renda convive com uma das maiores concentrações de riqueza do mundo. Segundo o mesmo relatório, o 1% mais rico do Brasil detém 37,3% de toda a riqueza declarada no Imposto de Renda de 2023. Quando se amplia o recorte, os 10% mais ricos concentram 64,2% da renda declarada, sendo que mais da metade desse volume está nas mãos do grupo mais abastado.

Apesar da alta concentração, o estudo aponta que os mais ricos pagam proporcionalmente menos impostos. A Secretaria de Política Econômica (SPE) identificou que a maior alíquota média efetivamente paga foi de 12%, entre os 93% mais ricos. A partir desse grupo, a taxa cai progressivamente até chegar a 4,6% para o 0,01% mais rico da população.

A análise da renda isenta de Imposto de Renda também ajuda a explicar esse desequilíbrio. Em 2023, 34,9% da renda isenta veio de lucros e dividendos, um tipo de rendimento concentrado no topo da pirâmide social. Outros rendimentos isentos representaram 18,7%, enquanto aplicações como LCI e LCA responderam por 5,7%, classificadas como rendimentos de poupança.

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Os números escancaram que a desigualdade brasileira não se resume à concentração de renda, mas é atravessada por raça, gênero e classe, colocando mulheres negras na base do sistema econômico e tributário do país.

Layla Silva

Layla Silva

Layla Silva é jornalista e mineira que vive no Rio de Janeiro. Experiência como podcaster, produtora de conteúdo e redação. Acredita no papel fundamental da mídia na desconstrução de estereótipos estruturais.

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