A expectativa de vida da população brasileira chegou a 76,6 anos em 2024, de acordo com novas estimativas do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O avanço representa um ganho médio de 2,5 meses em relação ao ano anterior e confirma a tendência de aumento gradual da longevidade no país.
Os dados mostram que as mulheres continuam vivendo mais do que os homens. Para elas, a expectativa passou para 79,9 anos; para eles, chegou a 73,3 anos. Essa diferença, histórica no Brasil, não é casual: reflete os impactos das mortes violentas que atingem sobretudo homens jovens e, dentro desse grupo, de forma ainda mais acentuada, homens negros.

O IBGE aponta que a taxa de risco de morte entre homens de 15 a 29 anos permanece muito superior à das mulheres da mesma faixa etária. Aos 19 anos, por exemplo, um homem tem 3,4 vezes mais chance de não completar 20 anos do que uma mulher. Entre 20 e 24 anos, essa relação sobe para 4,1 vezes. O órgão atribui esses números à predominância de mortes por causas externas, como homicídios e acidentes, fenômeno profundamente marcado por desigualdades raciais, territoriais e sociais.
Mesmo com os desafios, indicadores importantes seguem melhorando. A mortalidade infantil caiu para 12,3 mortes por mil nascidos vivos, resultado influenciado por campanhas de vacinação, ampliação do pré-natal, fortalecimento do SUS e políticas públicas voltadas ao saneamento e à nutrição, ações que beneficiam principalmente regiões mais pobres e populações vulnerabilizadas.
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A longevidade também cresceu entre pessoas idosas. Um brasileiro que completa 60 anos pode esperar viver, em média, 22,6 anos adicionais, maior nível registrado desde o início da série histórica. Aos 80 anos, a expectativa chega a 9,5 anos para mulheres e 8,3 anos para homens.
O levantamento reforça que, apesar dos avanços da saúde pública, o impacto da violência sobre os jovens, especialmente jovens negros, continua sendo um dos principais fatores que limitam o aumento da expectativa de vida masculina no Brasil. As desigualdades persistem e seguem determinando quem alcança a velhice e quem é interrompido pelo ciclo da violência.










