Um levantamento realizado pela Data-Makers, em parceria com a Black Influence, a ESPM e apoio da Peji, apresenta os resultados do “Black Consumers 2025”, pesquisa de mercado sobre o comportamento, preferências e desafios dos consumidores pretos e pardos do Brasil. Dentre os dados, o estudo revela que 59% dos consumidores negros já deixaram de comprar um produto por conta de um anúncio que não possuía represntatividade negra.
Além disso, o levantamento também revela que 32% dos consumidores pretos ou pardos não se sentem representados pela publicidade, um número menor que o levantado em 2024, que chegou a 35%. Isso revela que, entre os consumidores negros, aumentou a percepção de evolução na diversidade da publicidade: 73% dos entrevistados considera que melhorou.

“Vivemos um momento de transformação no mercado brasileiro. O estudo Black Consumers 2025 evidencia que os consumidores pretos e pardos não apenas reconhecem seu poder econômico, como exigem das marcas autenticidade, representatividade e respeito genuíno às suas necessidades”, afirma Fabrício Fudissaku, CEO da Data-Makers. “Este é um mercado de mais de 100 milhões de pessoas. Ignorar suas demandas não é apenas uma questão ética, é um erro estratégico de negócios”.
Principais Descobertas
O estudo revela ainda que 62% dos consumidores pretos dizem que sua raça/cor influencia nas suas decisões de compra, uma redução de 4 pontos percentuais em relação à 2024. O envolvimento com marcas ligadas à causa preta cresceu significativamente: 37% mostram alta preferência por marcas e figuras públicas engajadas com a causa negra, um aumento de 10 pontos percentuais comparado ao ano anterior.
Ainda mais importante, 60% dos consumidores aceitariam pagar mais por produtos que apoiem a causa preta, demonstrando disposição financeira para reconhecer marcas comprometidas com equidade. Este é um mercado disposto a investir em suas convicções.
“Os dados mostram que o consumidor preto está mais consciente do seu poder econômico e mais exigente com as marcas: ele reconhece avanços na publicidade, mas ainda enfrenta uma jornada de compra marcada por frustrações que o ‘Black Gap’ evidencia de forma contundente. O recado é claro: não basta colocar pessoas pretas nos anúncios; é preciso entregar experiências, produtos e serviços que respeitem e atendam de verdade esse público. As marcas que compreenderem essa complexidade e responderem com autenticidade, consistência e compromisso vão liderar o mercado. E não por obrigação moral, mas porque é inteligente, estratégico e urgente”, afirma Ricardo Silvestre, CEO da Black Influence e cofundador da Peji.
Expectativa por customização
Oito em cada dez consumidores (80%) acreditam que produtos e serviços devem ser adaptados e customizados para pessoas pretas e pardas. Este é um dos maiores indicadores de oportunidade de mercado identificados pelo estudo.
O “Black Gap”: mapeando as oportunidades
A Data-Makers introduz uma métrica inovadora neste estudo: o “Black Gap”, um índice de inequidade que mede o quanto setores e marcas atendem bem os consumidores pretos e pardos ao longo de toda a jornada de compra. O índice varia de -100 a 100, e valores acima de zero indicam que há mais consumidores descontentes do que satisfeitos. Quanto maior o gap, maior a incapacidade da marca ou setor em atender ao consumidor.
“Os resultados deixam claro que não basta comunicar valores ou mostrar diversidade na publicidade. Há um limite para narrativas quando a experiência real não acompanha a promessa. É nesse ponto que muitas marcas incorrem no risco de ‘blackwashing’. O Black Gap evidencia que o consumidor preto percebe quando há distância entre o que a marca comunica e o que ela entrega, especialmente no atendimento, na adequação dos produtos e na forma como é tratado em serviços cotidianos”, destaca Eduardo Mesquita Prof. Do Doutorado em Administração da ESPM e Coordenador do CEAM ESPM.
“Para avançar, as marcas precisam ir além da campanha e transformar a experiência em todos os pontos de contato. A coerência entre discurso e prática é o que constrói confiança e diferencia quem só comunica de quem realmente entrega”, acrescenta Mesquita.
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Canais e influenciadores
Instagram consolidou-se como o canal preferido para 31% dos consumidores pretos, seguido pelo YouTube (27%). 81% dos consumidores acompanham influenciadores, um aumento de 8 pontos percentuais em relação a 2024.
Curiosamente, a escolha de influenciadores não é determinada por raça/cor ou apoio à causa negra: 68% dos consumidores se dizem indiferentes a esses fatores na hora de escolher quem seguir. Isso evidencia que a qualidade do conteúdo continua sendo o principal driver de decisão.
Os influenciadores pretos com melhor reputação junto a este público são: Neymar Jr (Reputation Score: 74), Vini Jr (70), Ludmila (67), Iza (60), Tirullipa (56), Ronaldinho Gaúcho (52), Rebeca Andrade (50), Taís Araújo (44), Jojô Todynho (40) e Estevão (36).
Ao todo, o estudo ouviu 2002 pessoas, a partir dos 18 anos, em todas as regiões brasileiras e de todas as classes econômicas.








