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2022: o ano de virar o jogo

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Por Rozana Barroso*

Este ano começou cheio de desafios para nós, jovens negros que defendemos a saúde, educação e o meio ambiente. O Brasil enfrenta crises causadas pelos desastres naturais, aumento de casos de Covid pela nova variante Ômicron e um descaso absoluto do atual governo. Ainda carregamos as cicatrizes do último ano, 2021, como a grande evasão escolar e ainda continuamos enfrentando a fome e o desemprego. Mas não podemos esmorecer. Nossa luta precisa continuar forte. 

A emissão do título é facultativo para jovens entre 16 e 17 anos – Foto: Karla Boughoff

E um dos meios mais concretos que temos para fortalecer a nossa luta é tirar o título de eleitor. Nós, jovens negros, somos a maior parte da população, somos fortes, mas somos alvos de tentativas de dizimação do programa de governo de Bolsonaro, que tenta a todo custo evitar que ocupemos as Universidades, vagas de emprego e que mantenhamos o nosso protagonismo.

O ano de 2022 começou “duro” e precisamos estar atentos todos os dias. Não será fácil, serão dias de lutas e constante pressão para que nossas pautas sejam ouvidas e nossos direitos validados. Agora, ainda no primeiro semestre, teremos a votação do Projeto da Pobreza Menstrual, na qual temos que pressionar para que o Congresso derrube o veto de Bolsonaro. 

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Também temos que estar atentos para a vacinação das crianças e que o retorno às aulas seja seguro para todos. E ainda trabalhar constantemente para que a evasão escolar se reverta. Temos que trabalhar em um projeto de salvação destes jovens fora da escola. Não podemos esperar alguma ação do governo, que provou, em um pouco mais de três anos, que não inclui o povo preto em seu projeto de nação. Devemos pressionar e mobilizar todo o tempo. 

Como já disse antes, somos potência, e temos que virar este jogo. Quem tem 16 anos ou mais têm até 4 de maio deste ano para tirar o título, já quem tem mais idade é importante se informar cada vez mais sobre as opções nesta próxima eleição. Precisamos nos unir, estar nas ruas, dialogar e construir juntos propostas que mantenham o nosso protagonismo, que resgatem os estudantes fora das escolas, que ofereça a dignidade que tanto tentam nos roubar. O título é a nossa cartada final para mudança. Vamos todos juntos!

*Rozana Barroso, ativista da educação e presidente da União Brasileira dos Estudantes Secundaristas

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