TSE garante tradução em línguas indígenas nas audiências sobre regras das Eleições 2026

Povos indígenas cobram nova Comissão da Verdade para apurar crimes da ditadura

Povos indígenas cobram nova Comissão da Verdade para apurar crimes da ditadura. Foto: Rafa Neddermeyer/ Agência Brasil

O Tribunal Superior Eleitoral vai adotar, pela primeira vez, tradução simultânea para línguas indígenas nas audiências públicas que irão debater as regras das Eleições Gerais de 2026. A medida, segundo o próprio TSE, será aplicada durante as transmissões ao vivo dos encontros marcados para os dias 3 e 4 de fevereiro, às 10h, e 5 de fevereiro, às 11h, no canal oficial da Corte no YouTube.

A iniciativa partiu do vice-presidente do tribunal e relator das resoluções eleitorais, ministro Nunes Marques, com a proposta de ampliar o acesso, fortalecer a diversidade e garantir maior participação de povos originários nas discussões sobre o processo eleitoral. Para isso, o tribunal contará com intérpretes das línguas Tikuna, Yaathe, falada pelo povo Fulni-ô, e Kaingang, além de tradutores-intérpretes de Línguas Indígenas de Sinais.

O magistrado também relatou a Consulta nº 0600222-07, julgada em fevereiro de 2024, que estabeleceu que candidaturas indígenas registradas por partidos e federações terão direito à distribuição proporcional de recursos do Fundo Partidário, do Fundo Especial de Financiamento de Campanha e do tempo gratuito de rádio e televisão, nos mesmos critérios já aplicados às candidaturas de pessoas negras. Essa regra agora integra as minutas de resoluções submetidas ao debate público.

Povos indígenas cobram nova Comissão da Verdade para apurar crimes da ditadura
Povos indígenas cobram nova Comissão da Verdade para apurar crimes da ditadura – Foto: Rafa Neddermeyer/ Agência Brasil.

“A democracia incorpora demandas por igualdade, respeito a direitos, participação política e justiça social. Esse avanço representa passo importante na inclusão política dos povos originários, ao ampliar a pluralidade nas nossas instituições”, ressaltou o ministro Nunes Marques.

A ação dialoga com a Resolução nº 74/135 da ONU, que declarou 2022 a 2032 como a Década Internacional das Línguas Indígenas, além de contribuir para a meta de redução das desigualdades prevista na Agenda 2030.

Dados do Censo 2022 do IBGE indicam que o Brasil reúne 391 etnias e 295 línguas indígenas. Tikuna e Kaingang estão entre as mais faladas. A escolha considerou número de falantes, vitalidade das línguas e alcance territorial, além de registros no cadastro eleitoral. As audiências serão realizadas de forma híbrida, com participação presencial e remota, direto da sede do TSE, em Brasília.

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Thayan Mina

Thayan Mina

Jornalista pela Faculdade de Comunicação (FCS) da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj). Atualmente mestrando pelo PPGCOM da Escola de Comunicação (ECO) da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). É músico e sambista.

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