The Economist alerta para “Brasilização” da economia global

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The Economist diz que países ricos devem temer Brasilização - Foto: PExels

A revista britânica The Economist afirmou, em artigo publicado na quinta-feira (12), que países ricos deveriam temer a chamada “Brasilização” da economia global. O termo é utilizado pela publicação para descrever um cenário de juros elevados combinados com crescimento da dívida pública, tornando o endividamento cada vez mais difícil de administrar.

Segundo a análise, o Brasil reúne indicadores considerados positivos, como crescimento econômico, banco central independente e resultado primário próximo do equilíbrio, mas convive com uma dinâmica de endividamento classificada como preocupante. Com a taxa Selic em 15% ao ano, o governo brasileiro estaria tomando emprestado cerca de 8% do Produto Interno Bruto apenas para cobrir o pagamento de juros.

The Economist diz que países ricos devem temer Brasilização – Foto: PExels

De acordo com dados citados do Fundo Monetário Internacional, a dívida pública bruta do Brasil pode atingir 99% do PIB até 2030. Em 2010, o índice era de 62%. A dívida líquida atual, em torno de 66% do PIB, é considerada alta para padrões de mercados emergentes, mas inferior à de diversas economias desenvolvidas.

A revista aponta que o peso das aposentadorias, equivalente a cerca de 10% do PIB, e a rigidez constitucional de gastos limitariam a capacidade de ajuste fiscal. O texto afirma que, sem reformas estruturais, o país poderia enfrentar a escolha entre austeridade mais profunda ou aumento da pressão da dívida.

A análise também menciona fatores institucionais, como a tentativa de ruptura institucional em 2022 durante o governo de Jair Bolsonaro, e destaca que traumas históricos de hiperinflação contribuem para uma inflação considerada mais sensível no Brasil.

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Embora reconheça avanços recentes, como a reforma tributária com criação do IVA dual, a publicação sustenta que a falta de consolidação fiscal pode comprometer o crescimento de longo prazo.

O editorial amplia o argumento para além do Brasil. Segundo a revista, economias avançadas também enfrentam pressões semelhantes, como envelhecimento populacional e expansão dos gastos com saúde. O texto cita os Estados Unidos e afirma que instituições sob tensão política e inflação persistente seriam sinais iniciais de processo semelhante.

Para a The Economist, o caso brasileiro funciona como alerta antecipado para países ricos que convivem com déficits elevados e crescente pressão sobre seus sistemas fiscais.

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